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Confira a tabela do Campeonato Alemão
Veja como foi o jogo, lance a lance
O cenário era propício para a festa do Borussia Dortmund. Antes do jogo contra o Bayern, os torcedores prepararam uma bela homenagem para os 41 anos do Wesfalenstadion, completados na última quinta-feira, com três belos bandeirões, mas, no apito final, quem sorriu foi o time visitante. Com gol de Lewandowski, a equipe bávara derrotou o rival por 1 a 0 e deu mais um passo rumo ao título do Campeonato Alemão.
Ex-jogador do Borussia, o atacante polonês não comemorou o gol que garantiu o triunfo. O técnico Pep Guardiola, por sua vez, festejou muito no fim da partida. Líder da Bundesliga, o Bayern tem 10 pontos de vantagem em relação ao Wolfsburg, faltando sete rodadas para o fim da competição. O Borussia, por sua vez, segue na 10ª posição, longe da briga por uma vaga em torneios europeus.
Jogadores do Bayern comemoram com Lewandowski: polonês foi discreto após marcar o gol (Foto: EFE)
Principal clássico da Alemanha nos últimos anos, o jogo teve poucos lances bonitos. O primeiro tempo foi tenso, com correria e muitas faltas duras. Depois de um breve início de pressão do Borussia, o Bayern tomou conta da partida e chegou ao gol do triunfo aos 35 minutos, com Lewandowski aproveitando rebote de chute de Müller.
O Borussia voltou para o segundo tempo melhor e pressionou durante toda a etapa final, mas em vão. Mais na base da vontade do que da organização, os aurinegros pouco fizeram Neuer trabalhar - na melhor chance, Neuer cobrou falta com categoria, e o goleiro se esticou todo no canto direito para evitar o empate. Uma resposta à altura a torcedores aurinegros que jogaram bananas e outros objetos nele no intervalo da partida - algo recorrente nas visitas do arqueiro ao Westfalenstadion e que acontece desde os tempos em que Oliver Kahn jogava no Bayern.
Homenagem da torcida do Borussia aos 41 anos do Westfalenstadion (Foto: Matthias Hangst / Getty Images)
Neuer observa seguranças no intervalo: torcida do Borussia jogou bananas no goleiro (Foto: Lars Baron / Getty Images)
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
Derrota do Audax confirma primeiro confronto da fase final: Timão x Ponte Macaca abre cinco pontos antes de entrar em campo pela 14ª rodada e reencontra o Corinthians, adversário em 2012 e 2013. Duelo deste ano será tira-teima entre times
Está definido o primeiro duelo das quartas de final do Campeonato Paulista. Pela terceira vez em quatro anos, Corinthians e Ponte Preta se encontram por um lugar na semifinal. Com o Timão classificado há tempos, a Macaca garantiu a vaga na noite desta sexta-feira, com duas rodadas de antecedência, sem entrar em campo. A derrota do Audax para o XV de Piracicaba por 1 a 0, em Osasco, foi suficiente para assegurar ao time de Campinas a vice-liderança do Grupo 2.
Como ficou nos 19 pontos, com apenas mais três em disputa, o Audax não tem mais como ultrapassar a Macaca, com 24 e que joga pela 14ª rodada no domingo, contra o Penapolense, às 18h30, no Moisés Lucarelli. A situação dá tranquilidade para Guto Ferreira planejar os dois compromissos finais da primeira fase. Além do Penapolense, tem pela frente o Capivariano, quarta-feira, fora de casa.
Corinthians x Ponte deste ano vai servir como desempate. Em 2012, a Macaca venceu no Pacaembu. O Timão deu o troco com goleada por 4 a 0 em Campinas, um ano depois
Será uma espécie de tira-teima entre Corinthians e Ponte na história recente do Paulistão. Enquanto a Macaca levou a melhor em 2012 e eliminou o Timão ao fazer 3 a 2 no Pacaembu, o Corinthians deu o troco e passou pela Ponte na temporada seguinte com uma goleada por 4 a 0 em Campinas. Por conta da melhor campanha, o mando fica com o Corinthians, na arena. Será o único confronto das quartas entre times da elite nacional.
Emerson Sheik e Paulinho contra William e Bruno Silva nas quartas de 2013 (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
São Paulo, Palmeiras e Santos também já estão garantidos na liderança de suas respectivas chaves e estão no aguardo dos adversários. Se o campeonato terminasse hoje, o RB Brasil enfrentaria o Tricolor, o Botafogo pegaria o Verdão e o XV (que bateu o Audax) duelaria com o Peixe. Com a última rodada da primeira fase na quarta-feira, as quartas serão disputadas já no próximo fim de semana (sábado, 11, e domingo, 12).
SAIBA MAIS
Veja a classificação do Campeonato Paulista
Ajudada pelo XV na abertura da rodada, a Ponte pode retribuir o favor no fechamento da 14ª jornada. Basta impedir uma vitória do Penapolense no Majestoso. A equipe de Penápolis é a maior adversária do Nhô Quim pela vice-liderança do Grupo 4. O time de Piracicaba chegou a 17 pontos, contra 15 do adversário e 13 do já eliminado Capivariano.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
Como ficou nos 19 pontos, com apenas mais três em disputa, o Audax não tem mais como ultrapassar a Macaca, com 24 e que joga pela 14ª rodada no domingo, contra o Penapolense, às 18h30, no Moisés Lucarelli. A situação dá tranquilidade para Guto Ferreira planejar os dois compromissos finais da primeira fase. Além do Penapolense, tem pela frente o Capivariano, quarta-feira, fora de casa.
Corinthians x Ponte deste ano vai servir como desempate. Em 2012, a Macaca venceu no Pacaembu. O Timão deu o troco com goleada por 4 a 0 em Campinas, um ano depois
Será uma espécie de tira-teima entre Corinthians e Ponte na história recente do Paulistão. Enquanto a Macaca levou a melhor em 2012 e eliminou o Timão ao fazer 3 a 2 no Pacaembu, o Corinthians deu o troco e passou pela Ponte na temporada seguinte com uma goleada por 4 a 0 em Campinas. Por conta da melhor campanha, o mando fica com o Corinthians, na arena. Será o único confronto das quartas entre times da elite nacional.
Emerson Sheik e Paulinho contra William e Bruno Silva nas quartas de 2013 (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
São Paulo, Palmeiras e Santos também já estão garantidos na liderança de suas respectivas chaves e estão no aguardo dos adversários. Se o campeonato terminasse hoje, o RB Brasil enfrentaria o Tricolor, o Botafogo pegaria o Verdão e o XV (que bateu o Audax) duelaria com o Peixe. Com a última rodada da primeira fase na quarta-feira, as quartas serão disputadas já no próximo fim de semana (sábado, 11, e domingo, 12).
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Ajudada pelo XV na abertura da rodada, a Ponte pode retribuir o favor no fechamento da 14ª jornada. Basta impedir uma vitória do Penapolense no Majestoso. A equipe de Penápolis é a maior adversária do Nhô Quim pela vice-liderança do Grupo 4. O time de Piracicaba chegou a 17 pontos, contra 15 do adversário e 13 do já eliminado Capivariano.
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Valdivia celebra retorno ao Verdão: “Peço a Deus que me acompanhe” Mago volta a ser relacionado pelo Palmeiras após quase quatro meses
Relacionado para o jogo entre Palmeiras e Mogi Mirim, neste sábado, às 18h30 (horário de Brasília), na arena do Verdão, o meio-campista Valdivia comemorou o fato de ficar à disposição do técnico Oswaldo de Oliveira, quase quatro meses após disputar sua última partida de futebol com a camisa alviverde. O jogador está recuperado de uma lesão muscular na coxa esquerda e começará a partida, válida pela 14ª rodada do Campeonato Paulista, no banco de reservas.
– Muito feliz por estar dentro do grupo novamente, poder jogar ao lado desse grupo de qualidade gigante. Olho para cima e peço a Deus que me acompanhe – escreveu o jogador, em uma rede social.
Valdivia jogou no sacrifício os últimos jogos do Palmeiras no Campeonato Brasileiro do ano passado, para ajudar a equipe a se salvar do rebaixamento. Já prejudicado pela lesão na coxa, o Mago saiu aplaudido pela torcida alviverde após o empate por 1 a 1 com o Atlético-PR, resultado que manteve o Verdão na elite do futebol nacional.
Fora de campo, o meio-campista ainda discute possível renovação de contrato com o Palmeiras. O atual vínculo vai até agosto, e o futuro de Valdivia no clube é uma incógnita. O jogador já chegou a declarar que, no Brasil, só atua no Verdão. As negociações entre o diretor de futebol Alexandre Mattos e o pai e empresário do atleta, Luis Valdivia, ainda estão em estágio inicial.
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– Muito feliz por estar dentro do grupo novamente, poder jogar ao lado desse grupo de qualidade gigante. Olho para cima e peço a Deus que me acompanhe – escreveu o jogador, em uma rede social.
Valdivia jogou no sacrifício os últimos jogos do Palmeiras no Campeonato Brasileiro do ano passado, para ajudar a equipe a se salvar do rebaixamento. Já prejudicado pela lesão na coxa, o Mago saiu aplaudido pela torcida alviverde após o empate por 1 a 1 com o Atlético-PR, resultado que manteve o Verdão na elite do futebol nacional.
Fora de campo, o meio-campista ainda discute possível renovação de contrato com o Palmeiras. O atual vínculo vai até agosto, e o futuro de Valdivia no clube é uma incógnita. O jogador já chegou a declarar que, no Brasil, só atua no Verdão. As negociações entre o diretor de futebol Alexandre Mattos e o pai e empresário do atleta, Luis Valdivia, ainda estão em estágio inicial.
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"Amordaçado", Luxa se posiciona contra punição: "Não vão me calar" Treinador se diz censurado pela Ferj e pelo TJD-RJ, revela que sequer irá ao Maracanã para o Fla-Flu e coloca esparadrapo na boca em protesto contra a censura
Palavras firmes e uma imagem emblemática. Vanderlei Luxemburgo se posicionou nesta sexta-feira a respeito da suspensão de dois jogos recebida no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ). Sem abrir espaço para perguntas, o treinador do Flamengo entrou na sala de coletivas do Ninho do Urubu para pronunciamento definitivo após ter uma liminar que o permitiria comandar a equipe no Fla-Flu de domingo concedida na quarta-feira e cassada no dia seguinte. Primeiro, falou como profissional. Depois, como cidadão. Por fim, "amordaçou-se", colocando um esparadrapo na boca e deixou o local (veja vídeo abaixo).
O comandante rubro-negro adiantou que, em decisão conjunta com Eduardo Bandeira de Mello, não irá ao Maracanã sequer para ver o clássico - Deivid comandará a equipe. Na parte mais firme do pronunciamento, Vanderlei disse sentir-se censurado, garantiu que não irá baixar a guarda diante das sanções e bradou pelo seu direito de expressão. Confira abaixo a declaração do treinador na íntegra:
Luxemburgo põe fita na boca em protesto com a Ferj e o TJD-RJ (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Me senti violentado e agredido como cidadão.
Luxemburgo
- Conto com a colaboração de vocês para não ter perguntas, respeitando o meu momento. É só um pronunciamento em função das coisas que estão acontecendo. Acho importante meu posicionamento como cidadão e como profissional. Não é a primeira vez que fico fora de um jogo suspenso. Já aconteceu outras vezes e fui campeão, ganhei. Não vejo como problema para equipe, não vai existir algum tipo de prejuízo. Temos um processo trabalhado com o Deivid. É um situação do futebol, até por expulsão. Os jogadores sabem das nossas propostas. Já aconteceu uma situação em Macaé, onde o Paulo Victor não pôde atuar e tínhamos decisões. Por decisão minha, conversando com a presidência, se não posso estar no vestiário, não estarei no Maracanã, não vou ao jogo. Me senti prejudicado e não tem motivo para estar em um local onde não exercerei meu direito de trabalho. Vou ver o jogo como torcedor. Agora, como cidadão, em um momento importante do Brasil, onde estivemos recentemente uma eleição para presidente da República com debates ferrenhos, acusações, ideias, movimentos ruins de violência, onde confundiram processo democrático com violência e a população não aceitou. Em seguida, tivemos movimentos democráticos a favor e contra o governo. O direito do povo brasileiro foi conquistado através de lutas para quebramos a ditadura, direito de se expressar sem repressão. Não pode, em 2015, em um órgão importante do Rio de Janeiro, voltarmos a viver um momento de ditadura. Começamos lá atrás com a queda de um presidente e está na constituição o direito de liberdade de ir e vir, que não pode ser quebrado. Me senti violentado e agredido como cidadão. Já fiz muitas coisa que mereci ser punido. O que fiz foi buscar o melhor para o povo brasileiro. Em um momento onde tomamos uma derrota de 7 a 0 (7 a 1), busquei um caminho. Não me posicionei contra nenhum dirigente, mas contra qualquer federação que impeça jovens de jogar futebol. Quando usei o termo porrada, não era dar porrada na mão, foi um termo que usamos constantemente, vejo constantemente ser usado na televisão. Não foi tentativa de mandar agredir ninguém. Não podemos buscar através do futebol a moralidade de um segmento que não tem moral. Como cidadão brasileiro, venho repudiar. Vou continuar sendo da forma que sempre fui e vou seguir criticando o que achar que deve ser criticado. Nunca fui de ficar atrás de nada. Vou continuar buscando viver em um país melhor e que minhas filhas e meus netos encontrem um processo democrático ainda melhor. Não vão me calar de jeito nenhum. Se quiserem me tirar do Carioca, que me tirem. Só vou me posicionar quando tiver o meu direito de liberdade.

Técnico deixa sala de imprensa após pronunciamento com fita na boca (Foto: Cahê Mota)
Com dez desfalques para enfrentar o Bangu, na última quarta-feira, Luxemburgo atacou a Ferj por não poder buscar alternativas nas categorias de base. Por regulamento, só é permitido levar cinco juniores para as partidas do Campeonato Carioca.
- Tem que dar porrada na federação. Vou impedir o Bressan de ser convocado para a seleção olímpica? A federação só quer que tenha cinco amadores (juniores) inscritos. Tenho o Leonardo. O trabalho do Flamengo na base está excelente. Não temos quatro, temos cinco zagueiros. Um convocado (Bressan), o Samir está lesionado e o Wallace, suspenso. Temos 23 jogadores, mais quatro a sete do departamento amador. Aí acontece tudo para que a gente possa buscar no departamento amador. Hoje tenho o Sávio, Baggio, Jorge e Jajá. Não poderia pegar um zagueiro também? Não, porque só podem cinco inscritos dos juniores, e já tinha o Daniel como terceiro goleiro. O culpado sou eu ou o futebol está feito de maneira equivocada? O que posso falar? - disse, na ocasião.
No dia 20, dois dias antes do clássico diante do Vasco, Luxemburgo já havia criticado Rubens Lopes por ter assistido ao jogo do time cruz-maltino contra o Nova Iguaçu no camarote do presidente vascaíno, Eurico Miranda, em São Januário.
Luxemburgo foi punido com dois jogos de suspensão pela fala contra a Federação. O departamento jurídico do clube chegou a conseguir uma liminar liberando o técnico para o Fla-Flu. No entanto, um dia depois, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) voltou atrás a pedido da Procuradoria do TJD-RJ - órgão que já havia negado efeito suspensivo para o caso. Agora, o treinador terá que aguardar o julgamento do recurso no Pleno do TJD-RJ, ainda sem data para acontecer.
O efeito suspensivo favorável ao Flamengo na última quarta havia sido concedido pelo vice-presidente do STJD, Ronaldo Piacente, mas o presidente Caio Rocha teve um entendimento diferente do caso e mudou a decisão nesta quinta. De acordo com a Procuradoria do TJD-RJ, a liminar que liberava Luxa abriria uma jurisprudência perigosa, que levaria outras equipes de torneios regionais a impetrarem a medida como forma de evitar que os denunciados condenados cumpram suas penalidades dentro das competições em curso.
Luxemburgo não poderá sequer ter acesso ao vestiário do Flamengo no clássico. Com isso, Deivid, ex-atacante rubro-negro e atual auxiliar do treinador, é quem deve comandar a equipe neste domingo, no Maracanã.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
Luxemburgo põe fita na boca em protesto com a Ferj e o TJD-RJ (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Me senti violentado e agredido como cidadão.
Luxemburgo
- Conto com a colaboração de vocês para não ter perguntas, respeitando o meu momento. É só um pronunciamento em função das coisas que estão acontecendo. Acho importante meu posicionamento como cidadão e como profissional. Não é a primeira vez que fico fora de um jogo suspenso. Já aconteceu outras vezes e fui campeão, ganhei. Não vejo como problema para equipe, não vai existir algum tipo de prejuízo. Temos um processo trabalhado com o Deivid. É um situação do futebol, até por expulsão. Os jogadores sabem das nossas propostas. Já aconteceu uma situação em Macaé, onde o Paulo Victor não pôde atuar e tínhamos decisões. Por decisão minha, conversando com a presidência, se não posso estar no vestiário, não estarei no Maracanã, não vou ao jogo. Me senti prejudicado e não tem motivo para estar em um local onde não exercerei meu direito de trabalho. Vou ver o jogo como torcedor. Agora, como cidadão, em um momento importante do Brasil, onde estivemos recentemente uma eleição para presidente da República com debates ferrenhos, acusações, ideias, movimentos ruins de violência, onde confundiram processo democrático com violência e a população não aceitou. Em seguida, tivemos movimentos democráticos a favor e contra o governo. O direito do povo brasileiro foi conquistado através de lutas para quebramos a ditadura, direito de se expressar sem repressão. Não pode, em 2015, em um órgão importante do Rio de Janeiro, voltarmos a viver um momento de ditadura. Começamos lá atrás com a queda de um presidente e está na constituição o direito de liberdade de ir e vir, que não pode ser quebrado. Me senti violentado e agredido como cidadão. Já fiz muitas coisa que mereci ser punido. O que fiz foi buscar o melhor para o povo brasileiro. Em um momento onde tomamos uma derrota de 7 a 0 (7 a 1), busquei um caminho. Não me posicionei contra nenhum dirigente, mas contra qualquer federação que impeça jovens de jogar futebol. Quando usei o termo porrada, não era dar porrada na mão, foi um termo que usamos constantemente, vejo constantemente ser usado na televisão. Não foi tentativa de mandar agredir ninguém. Não podemos buscar através do futebol a moralidade de um segmento que não tem moral. Como cidadão brasileiro, venho repudiar. Vou continuar sendo da forma que sempre fui e vou seguir criticando o que achar que deve ser criticado. Nunca fui de ficar atrás de nada. Vou continuar buscando viver em um país melhor e que minhas filhas e meus netos encontrem um processo democrático ainda melhor. Não vão me calar de jeito nenhum. Se quiserem me tirar do Carioca, que me tirem. Só vou me posicionar quando tiver o meu direito de liberdade.
Técnico deixa sala de imprensa após pronunciamento com fita na boca (Foto: Cahê Mota)
Com dez desfalques para enfrentar o Bangu, na última quarta-feira, Luxemburgo atacou a Ferj por não poder buscar alternativas nas categorias de base. Por regulamento, só é permitido levar cinco juniores para as partidas do Campeonato Carioca.
- Tem que dar porrada na federação. Vou impedir o Bressan de ser convocado para a seleção olímpica? A federação só quer que tenha cinco amadores (juniores) inscritos. Tenho o Leonardo. O trabalho do Flamengo na base está excelente. Não temos quatro, temos cinco zagueiros. Um convocado (Bressan), o Samir está lesionado e o Wallace, suspenso. Temos 23 jogadores, mais quatro a sete do departamento amador. Aí acontece tudo para que a gente possa buscar no departamento amador. Hoje tenho o Sávio, Baggio, Jorge e Jajá. Não poderia pegar um zagueiro também? Não, porque só podem cinco inscritos dos juniores, e já tinha o Daniel como terceiro goleiro. O culpado sou eu ou o futebol está feito de maneira equivocada? O que posso falar? - disse, na ocasião.
No dia 20, dois dias antes do clássico diante do Vasco, Luxemburgo já havia criticado Rubens Lopes por ter assistido ao jogo do time cruz-maltino contra o Nova Iguaçu no camarote do presidente vascaíno, Eurico Miranda, em São Januário.
Luxemburgo foi punido com dois jogos de suspensão pela fala contra a Federação. O departamento jurídico do clube chegou a conseguir uma liminar liberando o técnico para o Fla-Flu. No entanto, um dia depois, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) voltou atrás a pedido da Procuradoria do TJD-RJ - órgão que já havia negado efeito suspensivo para o caso. Agora, o treinador terá que aguardar o julgamento do recurso no Pleno do TJD-RJ, ainda sem data para acontecer.
O efeito suspensivo favorável ao Flamengo na última quarta havia sido concedido pelo vice-presidente do STJD, Ronaldo Piacente, mas o presidente Caio Rocha teve um entendimento diferente do caso e mudou a decisão nesta quinta. De acordo com a Procuradoria do TJD-RJ, a liminar que liberava Luxa abriria uma jurisprudência perigosa, que levaria outras equipes de torneios regionais a impetrarem a medida como forma de evitar que os denunciados condenados cumpram suas penalidades dentro das competições em curso.
Luxemburgo não poderá sequer ter acesso ao vestiário do Flamengo no clássico. Com isso, Deivid, ex-atacante rubro-negro e atual auxiliar do treinador, é quem deve comandar a equipe neste domingo, no Maracanã.
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Aquecimento: no Maracanã, Zico e Joel lembram histórias do Fla-Flu Dois dos grandes personagens do clássico comentam sobre a mística do duelo e relembram "causos". Domingo, clubes se enfrentam pelo Carioca
Domingo a bola rola para mais um Fla-Flu no Maracanã, mas nesta quinta-feira dois grandes personagens deste clássico fizeram um espécie de aquecimento para o jogo: Zico e Joel Santana. Os dois lembraram histórias de vitórias e derrotas que viveram neste confronto, considerado especial para eles.

Zico e Joel Santana no aquecimento para o Fla-Flu de domingo, no Maracanã (Foto: Fred Huber)
Apesar de não esconder que seu principal alvo nos tempos em que vestiu a camisa 10 do Flamengo era o Botafogo, Zico contou que aprendeu desde menino, dentro de sua casa de rubro-negros, que o Fla-Flu tinha uma magia especial.
- Não sei a diferença para os demais clássicos. Isso já vem desde criança, já fomos doutrinados na família. Foi criada uma magia pelo Nelson Rodrigues e Mario Filho. Para eles era diferente, não sei a razão. Acabou se tornando um grande clássico, apesar de o Fluminense não ser o time que eu mais tinha gana de vencer. Nunca foi - afirmou o Galinho.
Para Joel Santana, que esteve dos dois lados como treinador, o fato de o clássico ter o Maracanã como palco dos principais duelos o ajudou a se transformar no que é. Ele se diz feliz com o fato de ter conquistado o respeito em ambos os clubes, apesar de ter deixado no ar que se sente mais reconhecido no Rubro-Negro.
- Quando se fala em Maracanã, é uma coisa totalmente diferente dos outros estádios. Todos têm vontade de conhecer. Nenhuma outra casa no mundo viu tantos monstros do futebol. Aqui se chora de tristeza e de alegria. As emoções sempre foram muito fortes. A coisa mais significante para mim é ter o respeito onde eu trabalhei, e não só os títulos. Cada clube me respeita de um jeito. Não preciso ficar falando muito... Vocês são inteligentes o bastante para saber onde me respeitam mais - disse Joel, que assinou durante o encontro o "Livro de Ouro", honraria aos que fizeram história no Maracanã.

A assinatura e a mensagem de Joel Santana escritas no "Livro de Ouro" do Maracanã (Foto: Divulgação)
A final do Carioca de 1995, claro, foi um dos principais assuntos do encontro, já que Joel comandava o Tricolor na ocasião. O gol de Renato Gaúcho de barriga, que deu o título ao Flu, não sai da cabeça dos tricolores, e nem do treinador, que contou uma história em que um integrante de sua comissão havia sugerido a substituição de Renato momentos antes.
- Não posso falar o que eu disse a ele (Renato) depois do jogo (risos). Naquela época, alguém chegou perto de mim e falou para tirar o Renato, que estava cansado. Eu disse que não se mexe em craque. Em anos anteriores, fui mexer e aprendi. A bola procura ele. Para deixar o Renato aborrecido, disse para ele que o gol foi do Ailton (risos).
Para o clássico deste domingo, às 18h30, no Maracanã, o Fluminense é o mais pressionado, já que está a dois pontos do G-4 a duas rodadas do fim. Nos palpites, Joel Santana preferiu ficar em cima do muro e disse 1 a 1. Zico aposta em uma vitória rubro-negra por 2 a 1. O Galinho contou que espera um espetáculo sem violência dentro e fora de campo. Na época em que jogava, ele contou que não lembra de ter tido problemas no Fla-Flu.
- Nunca tive, nós respeitávamos. Joguei clássicos memoráveis, para o bem ou para o mal, não lembro de violência ou qualquer coisa deste tipo.
Os "causos" de concentração antes de um Fla-Flu:
JOEL: A FINAL DO CARIOCA DE 1995
"Estávamos concentrados no Leme. Aí liga um torcedor querendo falar comigo. Achei até que ia pedir camisa e eu não tinha para dar. Insistiu tanto que fui falar com ele, aí eu fui. Me contou que tinha ouvido um papo na praia de que teria uma queima de fogos na frente do hotel de madrugada. Falei com o diretor e saímos daquele hotel. Realmente colocaram fogos por toda noite. Neste mesmo jogo, estávamos vencendo por 2 a 0 no intervalo. O falecido Ximbica ficou enrolado na bandeira do Fluminense e chorando, dizendo que ia ser campeão. Falei para ele parar, que o jogo não tinha terminado. Aí ele caía no chão, perdemos quase o tempo todo com isso. Falei que o jogo ia começar de novo, e não deu outra. O Flamengo foi com tudo, totalmente diferente e empatou o jogo. O resto, não preciso falar."
ZICO: FLA 4 X 0 FLU DE 1978
"Eu gosto muito de morango, e foi criada uma história no Flamengo de que a sobremesa tinha que ter morango senão não tinha gol. Os caras começaram a brincar com isso. O gerente da concentração ficava desesperado atrás de morango, principalmente em clássico, mas tinha época que era difícil. Aí veio um Fla x Flu, acho que em 79, que ele me disse que não tinha. Falei para deixar para lá, que não tinha problema. Mas os outros jogadores começaram a colocar pilha. Depois do almoço, na hora da sobremesa, chega ele com uma sacolinha com morangos silvestres pequenininhos que ele tinha ido colher na Estrada das Canoas. Fiquei na obrigação. Ainda bem que vencemos por quatro e eu fiz dois. Sabe quando faltou morango na concentração? Nunca mais".
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
Zico e Joel Santana no aquecimento para o Fla-Flu de domingo, no Maracanã (Foto: Fred Huber)
Apesar de não esconder que seu principal alvo nos tempos em que vestiu a camisa 10 do Flamengo era o Botafogo, Zico contou que aprendeu desde menino, dentro de sua casa de rubro-negros, que o Fla-Flu tinha uma magia especial.
- Não sei a diferença para os demais clássicos. Isso já vem desde criança, já fomos doutrinados na família. Foi criada uma magia pelo Nelson Rodrigues e Mario Filho. Para eles era diferente, não sei a razão. Acabou se tornando um grande clássico, apesar de o Fluminense não ser o time que eu mais tinha gana de vencer. Nunca foi - afirmou o Galinho.
Para Joel Santana, que esteve dos dois lados como treinador, o fato de o clássico ter o Maracanã como palco dos principais duelos o ajudou a se transformar no que é. Ele se diz feliz com o fato de ter conquistado o respeito em ambos os clubes, apesar de ter deixado no ar que se sente mais reconhecido no Rubro-Negro.
- Quando se fala em Maracanã, é uma coisa totalmente diferente dos outros estádios. Todos têm vontade de conhecer. Nenhuma outra casa no mundo viu tantos monstros do futebol. Aqui se chora de tristeza e de alegria. As emoções sempre foram muito fortes. A coisa mais significante para mim é ter o respeito onde eu trabalhei, e não só os títulos. Cada clube me respeita de um jeito. Não preciso ficar falando muito... Vocês são inteligentes o bastante para saber onde me respeitam mais - disse Joel, que assinou durante o encontro o "Livro de Ouro", honraria aos que fizeram história no Maracanã.
A assinatura e a mensagem de Joel Santana escritas no "Livro de Ouro" do Maracanã (Foto: Divulgação)
A final do Carioca de 1995, claro, foi um dos principais assuntos do encontro, já que Joel comandava o Tricolor na ocasião. O gol de Renato Gaúcho de barriga, que deu o título ao Flu, não sai da cabeça dos tricolores, e nem do treinador, que contou uma história em que um integrante de sua comissão havia sugerido a substituição de Renato momentos antes.
- Não posso falar o que eu disse a ele (Renato) depois do jogo (risos). Naquela época, alguém chegou perto de mim e falou para tirar o Renato, que estava cansado. Eu disse que não se mexe em craque. Em anos anteriores, fui mexer e aprendi. A bola procura ele. Para deixar o Renato aborrecido, disse para ele que o gol foi do Ailton (risos).
Para o clássico deste domingo, às 18h30, no Maracanã, o Fluminense é o mais pressionado, já que está a dois pontos do G-4 a duas rodadas do fim. Nos palpites, Joel Santana preferiu ficar em cima do muro e disse 1 a 1. Zico aposta em uma vitória rubro-negra por 2 a 1. O Galinho contou que espera um espetáculo sem violência dentro e fora de campo. Na época em que jogava, ele contou que não lembra de ter tido problemas no Fla-Flu.
- Nunca tive, nós respeitávamos. Joguei clássicos memoráveis, para o bem ou para o mal, não lembro de violência ou qualquer coisa deste tipo.
Os "causos" de concentração antes de um Fla-Flu:
JOEL: A FINAL DO CARIOCA DE 1995
"Estávamos concentrados no Leme. Aí liga um torcedor querendo falar comigo. Achei até que ia pedir camisa e eu não tinha para dar. Insistiu tanto que fui falar com ele, aí eu fui. Me contou que tinha ouvido um papo na praia de que teria uma queima de fogos na frente do hotel de madrugada. Falei com o diretor e saímos daquele hotel. Realmente colocaram fogos por toda noite. Neste mesmo jogo, estávamos vencendo por 2 a 0 no intervalo. O falecido Ximbica ficou enrolado na bandeira do Fluminense e chorando, dizendo que ia ser campeão. Falei para ele parar, que o jogo não tinha terminado. Aí ele caía no chão, perdemos quase o tempo todo com isso. Falei que o jogo ia começar de novo, e não deu outra. O Flamengo foi com tudo, totalmente diferente e empatou o jogo. O resto, não preciso falar."
ZICO: FLA 4 X 0 FLU DE 1978
"Eu gosto muito de morango, e foi criada uma história no Flamengo de que a sobremesa tinha que ter morango senão não tinha gol. Os caras começaram a brincar com isso. O gerente da concentração ficava desesperado atrás de morango, principalmente em clássico, mas tinha época que era difícil. Aí veio um Fla x Flu, acho que em 79, que ele me disse que não tinha. Falei para deixar para lá, que não tinha problema. Mas os outros jogadores começaram a colocar pilha. Depois do almoço, na hora da sobremesa, chega ele com uma sacolinha com morangos silvestres pequenininhos que ele tinha ido colher na Estrada das Canoas. Fiquei na obrigação. Ainda bem que vencemos por quatro e eu fiz dois. Sabe quando faltou morango na concentração? Nunca mais".
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Sucessão, falta de título e arena: Duba passa a limpo 23 anos de Madureira Desde 1992 no Tricolor Suburbano, Elias Duba convive com busca a novo presidente e desejo de morrer no cargo. Admite vendas e diz que futuro passa por novo estádio
O GloboEsporte.com conversou com Duba no último dia 26 de março. Procurou entender o sucesso do Madureira no Campeonato Carioca – no G-4, o time briga com boas chances de ir às semifinais. Em pouco mais de duas horas de papo, porém, o presidente revelou mais. Disse ser difícil manter o trio Rodrigo Pinho, Rodrigo Lindoso e Thiago Galhardo para a disputa da Série C. Não gostou do título da Taça Rio com empate diante do Bonsucesso (veja vídeo abaixo) – entende que os dois pontos perdidos podem fazer falta na disputa por vaga à semifinal com o Fluminense.
As comparações com Eurico Miranda, presidente do Vasco, também foram assunto. E não lhe incomodam. Só o toque do celular, o que ocorreu por oito vezes, o tirou do sério.
– Não sei mexer nessa coisa.
O que sabe bem é administrar o clube, garante. Com uma renda mensal de cerca de R$ 300 mil, fruto do aluguel de imóveis de propriedade do Madureira, Duba se gaba de não ter dívidas. Chega todos os dias às 10h e fica até as 17h. Outro orgulho é o reconhecimento – não há oposição. Tanto que a inscrição "administração Elias Duba" toma conta de paredes do estádio.
Nunca viu falarem tanto do clube quando do lançamento do uniforme comemorativo aos 50 anos de viagem a Cuba, com o rosto de Che Guevara. Só espera que levantar a taça do Carioca 2015 seja mais importante... Confira a entrevista.
GloboEsporte.com - Qual o segredo do Madureira no Carioca? Chega a surpreender?
Elias Duba - Surpreende a colocação. A campanha, não. Apostei no sucesso pois mantive a base da Série C. É o time que chegou às quartas, disputou o acesso. Mantive a base. Perdemos alguns jogadores, poucos. Perdemos o Felipe, atacante, o Aslan, zagueiro, e o lateral-direito. Conseguimos um melhor, o Formiga. Puxei dos juniores o Daniel, zagueiro, muito melhor. E o atacante substituímos pelo Pinho, que já estava aqui. Ele despontou. Trouxemos o Galhardo, uma surpresa a todos para ser seu companheiro, uma peça importante. O cérebro do time continuou, mas agora despontou, o Rodrigo Lindoso. Faz um campeonato maravilhoso. A base é do Madureira. Fizemos cinco contratações para reforçar. Deu certo. Trouxemos o Formiga, o Galhardo, o Camacho, o João e o Robinho, mas este, coitado, se machucou e não teve muitas oportunidades.
Nada mais?
Tem mais um: o treinador. Sempre acompanhei, sempre quis trazer ele para cá. Mas nunca dava. Namoramos muito, agora conseguimos casar. Toninho Andrade começou no Olaria. O acompanhei desde lá. Fez bom trabalho na Portuguesa, no Americano, no Cabo Frio, no Macaé. Quando deu de ele estar desempregado, e eu, sem treinador, foi o primeiro da lista. Fiz o convite. E vivemos um conto de fadas. O Toninho, além de conhecer o futebol, e o futebol do Rio, tem uma qualidade: a formação do elenco. A união do grupo. Ele consegue unir o grupo em torno dele. O que eu vejo... Um jogador faz gol, e todos vão abraçar o treinador. Ele tem pulso, cobra. É coerente e tem o grupo na mão.
Aqui no Madureira... não tem diretor de futebol. Quer estar na beira do campo, dentro do vestiário, dá opinião errada. Ele vai lá comer sanduíche ou tomar Coca-Cola. E jogar conversa fora.
Elias Duba
O senhor é aquele presidente que interfere na escalação?
Não discuto sistema tático, parte técnica. Quando contrato um camarada, vejo nele condições de comandar o time. Não vou por aí. Agora, quero saber as condições de todos os jogadores. Quando vejo que tem jogador que não joga ou que merece oportunidade, chamo ele para falar. Disso faço questão de participar. Até porque o Madureira não tem vice ou diretor de futebol. Tive até dois anos atrás. Não tenho mais. Isso atrapalha. Aqui no Madureira, e em outros clubes, o diretor de futebol quer estar na beira do campo, o que não pode mais, dentro do vestiário, dá opinião errada. Ele vai lá comer sanduíche ou tomar Coca-Cola. E jogar conversa fora. Eu não vou ao vestiário. A não ser para pagar premiação ou quando me chamam. Pelo título da Copa Rio, me chamaram para participar da oração. Queriam que estivesse presente. Eu vou. Até porque sou religioso. Não abro mão: domingo tem aqui a Missa de Ramos. É tradição. Todas as paróquias se reúnem aqui, a missa é no campo, e a arquibancada lota. Nem o Flamengo traz tanta gente. É diferente, são idosos e família. Assisto com a minha família dentro do campo. Sou católico. Como me chamaram, fui. Mas não participo. O diretor quer viajar, aparecer. Tenho uma equipe de profissionais. Tem tanta gente que acho que tem o mesmo número de jogadores. São praticamente dois de cada. São esses que têm de trabalhar. O diretor não tem de estar ali. É a comissão técnica. Tem coordenador, tem supervisor. Tem psicólogo, preparador físico, massagista, roupeiro.
Ter dirigente, então, foi uma experiência ruim?
Não é que tive experiências ruins. São meus amigos, continuam sendo. É pela minha experiência. Não deve ter diretor. Dirigente é para colocar o time em campo, contratar e discutir o que é melhor. Essa é a função do dirigente. Dentro de vestiário, não é legal. Só em comemoração. Não acho que tenha validade.
Rodrigo Pinho (E) é destaque do time de Toninho Andrade (Foto: Úrsula Nery / Agência Ferj)
Cite um exemplo de debate com o treinador.
Tem um menino da base do Madureira. Eu que o contratei. Ele veio jogar pelo América, time júnior. Me encantou. Quis trazê-lo. Foi fácil pois tenho relação com a família. Vejo que tem futuro. Estava vendo que ele estava preterido até do banco. Chamei o treinador. Ele disse ter outras preferências. Preciso que ele jogue. O outro jogador não é meu. Está de passagem. O treinador lá trabalhando não percebe coisas que eu tenho de atentar. Chama-se Bruno. Precisa jogar, amadurecer. E isso vai acontecer dentro do campo. Tem 19 anos. O treinador já levou ao banco, já motivou. O menino tem proposta de ir para a segunda divisão da Inglaterra. Estava meio desgostoso pois não participava. Para o ano que vem, vai ser titular do Madureira.
Eu nunca mando. Sempre peço. Se eu o contratei (treinador), tenho de ter confiança
Elias Duba
E, na conversa, o senhor manda?
Eu nunca mando. Sempre peço. Se eu o contratei, tenho de ter confiança. Vejo o trabalho, observo. Não sou omisso. Estou vendo o dia a dia e os jogos. É surpreendente como treinador. Ele (Toninho Andrade) identifica com o que eu penso. Não é que eu pense certo. Mas eu vejo uma má atuação, e ele vai lá e muda esse jogador. Taticamente, não enxergo muito. Mas também não sou cego. Ele vê o que eu vejo. Há identidade. Era assim com o (ex-treinador Antonio Carlos) Roy também. A confiança é mútua. Jamais vou dizer quem deve jogar. A escalação é dele. Até porque quando tiver de cobrar, vou cobrar. A relação é boa. Tem dado certo.
Como foi o planejamento do Madureira?
Tínhamos um objetivo: chegar entre os sete. O campeonato do ano que vem é diferente. Os dez primeiros estão na última fase. Não estão em seletiva que vai haver. Queria chegar entre os sete. O Madureira foi prejudicado neste ano pela tabela. Pela colocação do passado, fizemos muitos mais jogos fora do que em casa. Em casa, serão quatro. Todos os outros 11 serão fora. Isso se deve à colocação do Madureira no ano passado. Queria estar no grupo final, mas também mandar o maior número de jogos. Alcançamos esse objetivo. Era a primeira meta. A segunda meta era a Taça Rio. Só entre os pequenos. A terceira, nunca pensada antes, é estar entre os quatro. Quando começou, prometi R$ 100 mil a ser dividido se chegassem à semifinal. No dia a dia, dou premiação. Chamo de combustível. É um estímulo. Estando entre os quatro, queremos o título.
Camisa do Madureira de 2006 está exposta no gabinete de Elias Duba (Foto: Hector Werlang)
Como funciona este combustível?
Não há combinação. Dou quanto eu acho que devo dar. Comecei com R$ 300. Isso foi no primeiro jogo. Aí digo, "vou aumentar". Não dei nada no empate com o Flamengo. Não pago por empate. Mas aviso: "Se ganhar aquele jogo, dou por aquele do Flamengo". O jogo que achei fundamental, contra o Volta Redonda, um de seis pontos, dei R$ 1 mil. Eu não prometo: apenas aumento. Falo antes. Se chegar entre os quatro, é R$ 100 mil. O título, nem sei. Aí, talvez até dê a chave do clube.
Qual o critério para definir o bicho?
É pela minha cabeça. Não dou menos. É igual ou maior. O primeiro foi R$ 300 a cada jogador. E tem por lances também. Goleiro meu tem de sair do gol. Se errou, a culpa é minha. Teve duas saídas, toma aqui: R$ 200. Meu atacante fez gol, toma: R$ 100 por gol. Fulano deu passe, R$ 100. Defesa não toma gol, R$ 100 a cada um. Tem até por jogada bonita. João, esses dias, ia fazer gol de placa. Disse a ele: "João, a bola não entrou, mas gostei. Toma R$ 100". Tem ainda para o melhor em campo, outros R$ 100. Por isso, me apelidaram de Silvio Santos. Foi o Galhardo. Levo na brincadeira.
Jogador não se acostuma mal? Não pede mais?
É uma forma de motivação. É a minha parte. Motivar o grupo. Não admito que me cobrem. Sou sincero. Os recebo a hora que for. Resolvo o que puder. Libero se tiverem proposta. Liberei uma vez o Sorato. Artilheiro do estadual. Não sou eu que impeço de ganhar dinheiro. Não tem isso. Sou transparente e amigo deles. E não admito que me cobrem.
Isso não atrapalha as finanças do clube?
Jamais dou o que não tenho. Só boto a mão onde alcanço. Duvido que algum atleta que tenha passado aqui, nesse tempo todo que estou, e foram centenas, diga: "O presidente prometeu e não cumpriu". Não faço isso. O dinheiro vem da receita do Madureira. Não depende do futebol. É óbvio que é modestamente, faço dentro das suas condições. Jamais vou pensar no Messi. Uma vez veio um treinador aqui e disse para largar na mídia que iríamos trazer o Maradona. Não sou assim. Não vou me expor ao ridículo. Vou promoter o que posso fazer. Já contratei jogadores de nome. Podia naquela altura. Hoje não posso. O que posso é isso. Estou satisfeito. É o futebol mais bonito do Rio. Joga para o ataque, time balanceado, melhor defesa e um dos melhores ataque.
É difícil administrar um time pequeno? Como estão as finanças?
O Madureira é a fusão de três clubes. Tem dois pontos privilegiados para o comércio. Com a fusão, tivemos patrimônio rentável. Empresas nos pagam aluguel. No orçamento, a receita desses imóveis nos permite ter uma folha salarial a ser paga. Em 23 anos, jamais atrasou um mês de salário. Não devemos impostos. Uma vez ou outra tem uma reclamatória. Mas a maioria dos funcionários tem o mesmo tempo de casa do que eu. São antigos, mais amigos do que funcionários. Tanto que toda a sexta-feira temos um encontro. Faz uns dez anos. Sempre após o expediente, que termina às 17h. Ali, jogamos conversa fora. Podem me falar o que quiser. É para contar piada e falar de tudo, menos sobre o clube. A folha salarial é de R$ 150 mil. No estadual. É alto. A folha normal é de R$ 70 mil. Fora de campeonato. Durante o estadual, contrato e aumento o dos meus. Única competição rentável. No Brasileiro, pago para jogar. A receita do estadual, oriunda da TV, me permite fazer uma gracinha a eles.
Isso permite, então, manter um grupo valorizado…
Quero manter o grupo para a Série C. Mas sei que vou perder uns três jogadores, pelo menos. Já chegou proposta. Me nego a falar agora. Mas depois do estadual, sei que vou perder. Disse a eles que quero a cabeça aqui. Acabando, cada uma vai resolver a sua vida. Não vou prejudicar. Pelo contrário, ajudo no que puder. Agora é a hora de contratação total. São os mais badalados: Rodrigo Lindoso, Rodrigo Pinho e Thiago Galhardo. Pelo Pinho aparece (proposta) todo o dia.
E a substituição?
Já tenho jogadores em vista. Bato escanteio e cabeceio. Faço tudo aqui. Delego à minha comissão para que fiquem atentos a jogadores que possam aparecer. Vejo todos os jogos, acompanho, procuro saber.
Qual o objetivo, então, na Série C?
O objetivo é subir para a Série B. O Madureira precisa subir. Vibrei muito no ano passado. Achei que dava. Mas faltou experiência, como sempre. De jogadores rodados. Tinha parceria com a Traffic. Eles prometeram ajudar e fazer time para subir. Mantive o meu time, e eles pagaram o salário de quem eles trouxeram. Mas achei que vinha gente melhor. Na hora H, faltou contratar. O Macaé fez isso e subiu. Ficou atrás na classificação. No mata-mata, senti que faltou experiência. E um treinador. Se estou com este aqui, tinha classificado. A parceria com a Traffic não existe mais.
Estar na Série B muda o patamar do clube?
O Madureira precisa subir pela visibilidade. Aí, atraio patrocinador. Na Série B, todos os jogos são televisionados. Fica mais fácil. Na Série C, um ou outro passa. Na B, o Brasil todo vê. A B é quase tão boa quanto a A. Temos bom nome, boa vitrine. Para ter futebol rentável, tem de estar na Série B. O salto de qualidade ocorreria ainda mais com os projetos que temos. Mas não quero nem imaginar estar na A. Não temos suporte para isso.
Quais são esses projetos?
Faltam detalhes: ter uma arena para 15 mil pessoas. Dá salto de qualidade na receita. O projeto é estudado há três ou quatro anos. Estava sob responsabilidade de uma empresa, mas não tinha idoneidade. Ela chegou a fazer o projeto. Buscamos outras. Apareceram algumas. Até que uma dessas foi escolhida por mim. Ela vai construir um shopping no terreno do clube, com dois andares de estacionamento. O campo em cima. É um estabelecimento comercial popular, interligado com o Mercadão de Madureira. Tem de ser o mesmo tipo de negócio. É para o pessoal do subúrbio, de quem compra na Zona Norte. A proposta é maravilhosa. Faltam os documentos para a prefeitura aproveitar.
Conselheiro Galvão: sala de troféus é repleta de conquistas do Madureira (Foto: Hector Werlang)
Como funcionaria?
A galeria de lojas seria interligada ao Mercadão. É atraente ao Madureira. Seria na altura do terceiro andar. A ideia para 15 mil lugares é para absorver os jogos dos grandes em Brasileiro e Carioca. Madureira é lugar central, estação de trem, de BRT. Só o estádio é em torno de R$ 300 milhões. A obra toda calculada é em R$ 1 bilhão. São 1,8 mil vagas de estacionamento e 900 lojas. O Madureira administraria o estádio, com piscina, quadras. O shopping é deles, o estacionamento é deles. O Madureira tem 10% da arrecadação de todo o faturamento. Durante 50 anos. Depois, o patrimônio é nosso.
Este seria, então, o seu maior legado?
O Madureira vai dar salto de qualidade. Certamente seria meu maior legado. Não só em termos de rentabilidade. Mas de estrutura. Mas ninguém fez mais do que eu. Eu garanto. Em 15 anos, ganhei mais títulos do que todos os presidentes juntos. Tênis de mesa, fut7, futsal, natação, basquete. Chega a uns 400.
Por que decidiu virar presidente do Madureira?
Entrei aqui por uma contingência. Entrei para acabar com os bailes funks. Era morador de Madureira e estabelecido aqui. Sou nascido e criado aqui. Vi a desgraça que era. O clube locava o espaço às festas. Mas era a maior confusão, com polícia. Desde lá, fui adorado pelos moradores da comunidade. As missas mudaram de horários, os ônibus não poderiam circular. Tudo por causa dos bailes. Acabei com isso. Fui ameaçado de morte. Quando ameaçavam a minha família, me preocupei. Mas nunca aconteceu nada.
Qual o maior orgulho?
É ver o que eu fiz em 2006 (veja vídeo ao lado). Encher de torcida um quarto do Maracanã no titulo da Taça Rio (vitória de 1 a 0 sobre o Americano). Eu sei o que custou. Coloquei frota de ônibus, paguei ingressos, fiz camiseta, fogos, aquilo ficou lindo. Aquilo me emociona. Tanto quanto ver alguns garotos, pequenos, com camisa do Madureira. E eles dizem que são Madureira. Eu assumi quando o clube estava quebrado. Não tinha par de chuteira. Nada de camisa. Tanto processo trabalhista... Quase recuei. Sou destemido. Pago para ver. E estou até hoje.
Nunca pensou em desistir?
Sim. Voltei atrás por pedido dos funcionários. Meu receio é alguém entrar e não tratá-los com a mesma dignidade que eu trato. Vejo em cada um que são meus amigos. Que são sinceros. Tenho medo de deixá-los desamparados. Já falei à minha família que ficarei aqui enquanto a saúde permitir. Me dá prazer. São meus amigos. O quadro social não quer que eu saia. Foram mais de oito eleições por aclamação. O dia que não me quiserem não precisa falar duas vezes. O que me irrita é que a camisa tem distinção. Não deveria. Ao menos para a arbitragem. Isso me aborreceu muito. Briguei, dei murro em ponta de faca. E isso quase me fez parar. Já sai muito na porrada, bati em juiz, fui suspenso. Hoje estou mais na minha até porque a saúde não permite. Deixei de ser galinho de briga. Hoje vou por outros caminhos: oficio à Ferj, à Coaf. Vou por outro lado. Consigo. Ficou só o rótulo de ser dirigente brigão.
Mas falta uma coisa: ter dado título estadual ao Madureira
Elias Duba
Qual a maior decepção?
A decepção foi perder amigos aqui. Morreram nos meus braços. Depois, ex-diretores que eram ligados e se afastaram. Eles não fizeram nada pelo clube e depois falavam de mim pelas costas. O clube não me deu decepção. Perder é normal. Faz parte do jogo. Não tenho arrependimento. Mas falta uma coisa: ter dado título estadual ao Madureira. Minha primeira vice era uma mulher, Leni Veloso. Quando entrei, ela disse: "Você é o presidente que fará o Madureira campeão". Clube e torcida merecem. Quem sabe ainda não consigo.
Pretende ficar por muito mais tempo?
Posso ficar até amanhã. Até quando a saúde permitir. Se quiserem ou se eu sentir que tenho rejeição ou se tiver oposição, penso duas vezes. Minha meta é fazer um sucessor. Fazia isso, e a pessoa adoeceu. Tenho problema de coração, sou diabético, sou homem bomba. Tenho colesterol alto. Tomo cascudo do meu filho médico. Digo que quero morrer aqui. Se for para ser infarto, que seja aqui. Depois me joguem as cinzas aqui. Não vai dar azar.
Como é a busca por esse sucessor?
Vai me doer muito se ver tudo o que construí ser destruído. Acho que terá pessoas mais capacitadas e farão melhor. Mas e se não? Vai me doer. Eu nasci Vasco, mas nasci em Madureira. Vivi a minha vida aqui, ganhei a vida aqui, meus filhos têm tudo graças a Madureira. Os conselheiros queriam colocar busto meu aqui. Não quero. Quando morrer, sim. Uma vez apareceu um que disse que queria ser presidente. Mas ele não poderia. Para ser presidente, tem de ser benemérito, ter serviços prestados, mais de dez anos de sócio e não pode ter sido punido. Tem de ter sido referendado por dez proprietários, de cinco beneméritos, três grandes beneméritos e um presidente de honra. Algumas dessas medidas são mecanismos de proteção. Algumas eu ajudei a construir. Para não entrar um camarada que quebre o clube, que queira arrumar algum. O patrimônio é grande, não é para qualquer um.
Por qual motivo não há oposição?
Acredito que seja pela minha administração. Faz três ou quatro eleições que não aparece ninguém. Mas busco algum sucessor, alguém que tenha raízes aqui. Um filho de um diretor, um garoto que tenha vivenciado o Madureira.
Qual a sua opinião sobre a briga entre Ferj e Flamengo e Fluminense?
Foi feito fórum para detectar o motivo do baixo público. Citaram ingresso, segurança, horário… Decidiu-se baixar o preço. Achou-se o denominador comum. Mas os caras são contra, Flamengo e Fluminense. Se fosse segurança, eles seriam contra. Tem de sentar e conversar. O presidente do Fluminense nunca foi à Ferj. Uma vez, o Eurico, que ainda nem tinha voltado como presidente, entrou por uma porta e o Peter saiu como se estivesse visto uma assombração. Nunca mais foi. O presidente do Flamengo eu estranho. É do bem, pessoa calma. Eles têm acordo com o consórcio. Mas não mostram a ninguém. Se baixar o preço, alegam, o sócio deles vai perder. Tudo bem. No Brasileiro, ótimo. Mas não pode jogar comigo e dar o desconto ao sócio. No estadual a renda é dividida. Eles não querem, isso é desleal. A briga foi econômica.
O senhor concorda com a forma como o campeonato é disputado?
Não sou a favor da fórmula. Tem de ter menos clubes, como vai ser daqui a dois anos. Tem de melhorar na distribuição das cotas de TV. Pedem campeonato mais disputado… Há disparidade entre pequenos e grandes. Não pode um fazer com R$ 10 milhões e outro com R$ 200 mil. Tem de ser mais bem distribuído.
Quem são seus aliados no futebol?
Eurico (Miranda, presidente do Vasco) e Rubinho (Rubens Lopes, presidente da Ferj) são meus maiores aliados. Eurico desde antes de eu ser presidente do Madureira. Rubinho a partir daí. Tenho boas amizades. São mais próximos, frequentam a minha casa.
Há quem diga que o senhor é o "Eurico dos pequenos"...
Já ouvi. Me chamam de poderoso chefão. Sempre me comparando ao Eurico. As pessoas acham que me aborrecem. Pelo contrário. Fico lisonjeado. Eurico é um baita de um dirigente. Tem defeito como eu tenho. Não tenho capacidade dele, nem a do Rubinho. Fico feliz da vida quando me comparam a eles.
Como será a sua vida depois do Madureira?
Não faz essa pergunta. Não sei o que será de mim ao sair daqui. Não sei se serei feliz, se vou ficar amargurado. Se morrer, tudo bem. Problema é de quem ficar. Dar as costas ao clube vai me deixar perdido. Isso só me gera dúvidas e nenhuma certeza.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
Brasil Afora: metade do time do Alto Acre é formada por irmãos e primos Dos 11 titulares que estavam à disposição na estreia no estadual, cinco são parentes. Incentivo ao futebol partiu do pai, amador na década de 80, no interior do Acre
São três irmãos: o lateral-esquerdo Márcio Maia Oliveira (Bolão), o lateral-direito Antonio Tomás de Oliveira Maia (Macaxeira) e o atacante Mauro Maia Oliveira. E ainda tem os primos: o zagueiro Gerlan Maia de Souza (Maradona) e o lateral-direito Jandrei Maia de Oliveira. Todos vestem a camisa do clube desde 2013.
Meio time é formado por irmãos e primos: Mauro, Maradona, Jandrei, Bolão e Macaxeira (Foto: João Paulo Maia)
O mais novo, Macaxeira, 21 anos, ganhou chance entre os 11 na derrota por 1 a 0 para o Plácido, no meio da semana, e ressaltou o clima familiar dentro do clube.
- É muito bom. Como sou o mais novo, eles me ajudam muito, é tudo que preciso. Dá orgulho nossa família ser quase a metade do time. Eu me inspiro no meu pai. Ele está nos momentos ruins e bons, nunca me deixou na mão - disse.
Alto Acre tem cinco jogadores da mesma família no time (Foto: João Paulo Maia)
Para o atacante Mauro Maia, 26 anos, o irmão mais velho, a união do Papagaio da Fronteira pode fazer a diferença no campeonato - apesar da derrota por 5 a 2 na estreia diante do Atlético-AC.
- É gratificante jogar no mesmo clube que meus irmãos e primos. Essa família de boleiros pode surpreender, sim, ainda temos mais peças para chegar e reforçar a equipe - completou Mauro.
Um dos primos, Jandrei Maia, 32 anos, disse que nunca viu uma história parecida e garantiu que jogar em família faz a diferença.
- É uma experiência ótima, pois não é só no futebol profissional. Na nossa cidade jogamos juntos. Sempre tivemos o sonho de montarmos uma equipe, mas por ocasião do destino estamos no Alto Acre. Já é bom jogar com companheiros, imagina com irmãos e primos - destacou Jandrei, que também trabalha como vendedor em Epitaciolândia.
O técnico Serginho Gois, 39, que comanda o clube pela primeira vez, afirmou que já vivenciou um caso parecido. Em 2012, quando foi o treinador do Náutico-RR, eram três famílias que formavam a equipe - cada uma com três ou quatro jogadores.
Zagueiro Maradona ao fundo e o lateral Macaxeira driblando adversário (Foto: João Paulo Maia)
- Quando eles respeitam o profissionalismo do clube não atrapalha, nunca vi de brigarem. Pelo contrário, eles se cobram muito, por serem irmãos ou primos, é diferente dos outros companheiros. E isso é bom - frisou Gois.
INCENTIVO DO PAI
A força da família no futebol não é de agora. O pai de Bolão, Macaxeira e Mauro foi jogador de futebol amador no interior do Acre. Antonio da Silva Oliveira, que trabalha como funcionário público, aproveita as folgas do fim de semana para acompanhar os filhos e sobrinhos nos jogos, além de ajudar a organizar o vestiário enquanto o time está em campo.
Antonio Oliveira, ex-atleta amador e pai de três jogadores do Alto Acre (Foto: João Paulo Maia)
Seu Antonio, 64 anos, é do município de Epitaciolândia, que fica a 206km de Rio Branco, e disse que os cinco jogadores também nasceram na cidade. Ele atuou com a camisa do Fluminense, time amador de Senador Guiomard, na década de 1980.
- Sempre incentivei meus filhos a jogar futebol. A mãe deles faleceu numa cirurgia, há 17 anos, e eram todos pequenos. Foi o momento mais difícil da minha vida. Criei todos sozinho e tenho orgulho do que são hoje - declarou.
QUARENTÃO
No Papagaio da Fronteira, quem também chama a atenção é o meio-campo Angilberto Gurgel, mais conhecido por Anjo. E não é nem pelo que ele faz em campo. O jogador, de 43 anos, é o mais velho em atuação no Campeonato Acreano.
- O professor deixa para me colocar no segundo tempo, mas falta ele me colocar mais cedo. Não tenho a mesma vitalidade, mas posso contribuir ainda. É meu último ano a pedido da diretoria - avaliou Anjo, cujo apelido foi dado pela mãe.
CLUBE PERDEU TUDO
Em fevereiro deste ano, o município de Brasileia, onde fica localizada a sede do Alto Acre, sofreu a maior enchente da história do Rio Acre. Segundo a Defesa Civil Estadual, 90% da cidade ficaram debaixo d'água no auge da cheia. O clube e alguns jogadores perderam tudo, de acordo com o presidente João Carlos Passos.
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- Estamos treinando somente na metade do campo. Não temos coletes, bolas, nada. Nem contrato os jogadores têm, alguns não têm para onde voltar, pois suas casas foram condenadas pela Defesa Civil. O psicológico da equipe está realmente muito abalado. É uma situação bem difícil. Mesmo sem condições de treinar e nos prepararmos 100%, faremos o melhor possível - disse o cartola, em entrevista ao GloboEsporte.com.
Na luta contra o rebaixamento nas últimas temporadas, o Papagaio da Fronteira esperava disputar as primeiras posições em 2015. Mas, após três derrotas e um empate no estadual, o clube é cotado para brigar para não cair. Ainda sem vencer, o time encara o Náuas no próximo domingo (5), às 18h (local), na Arena do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do estado.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
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