Tensão e paredões: com um a menos, Bahia busca empate em Ba-Vi acirrado Vitória sai na frente no placar, mas não aproveita vantagem de ter um a mais em campo após expulsão de Pittoni: Tricolor corre atrás e deixa tudo igual no Barradão

Eram dois times desacreditados em campo. Torcidas que desconfiavam de seus atletas e aguardavam ansiosamente por aquela atuação convincente, aquela que mostraria que o fim da temporada poderia ser diferente da anterior. E foi quase isso: na tarde deste domingo, Vitória e Bahia protagonizaram um clássico digno de um clássico. No Barradão, as equipes alternaram os momentos de tensão, atacaram e defenderam, como era esperado por aqueles que sentavam na arquibancada. Não foi o melhor futebol das galáxias, mas rendeu boas emoções a quem sentava e levantava, ansioso, até o último minuto, no estádio: um placar de 1 a 1 construído à base da velha – e eficiente – receita de clássicos.   
Dentro de campo, os protagonistas do espetáculo esperavam a oportunidade – e brigaram por ela. Um pouco fora de forma e sob olhares desconfiados, Neto Baiano aproveitou a sua: carrasco do Bahia, o atacante incorporou o espírito do Ba-Vi e não deixou passar a chance de marcar seu segundo gol na temporada. Do outro lado, uma equipe que não se abateu pelas adversidades: com um a menos e atrás no placar, o Bahia correu atrás do prejuízo. Quando chegou a hora, Maxi Biancucchi não se fez de rogado para balançar a rede do ex-clube: na comemoração, um “cala a boca” para a torcida rubro-negra. Sob as metas, outros destaques: inicialmente questionados, os goleiros Fernando Miguel e Jean deixaram o gramado sob olhares surpresos, depois de atuações convincentes.
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Durante os 90 minutos, ainda sobrou espaço para jogadores nervosos, lances polêmicos, desentendimentos e até expulsão – aqueles acontecimentos que dão ao clássico o tom dramático que lhe é pertinente. Antes de a bola rolar, confusão de torcidas do lado de fora do estádio e atuação firme da Polícia Militar – outro elemento lamentavelmente comum a partidas de rivalidade acirrada como um Ba-Vi.    
O Leão fecha a rodada na 2ª posição na classificação geral, com nove pontos. O Esquadrão é o sétimo, com sete pontos. Pelo Baianão, o Vitória volta a campo no próximo domingo, quando enfrenta o Juazeirense, no estádio Adauto Morais. O Bahia joga no mesmo dia: recebe o Feirense na Arena Fonte Nova. Antes disso, no entanto, as duas equipes têm compromissos pela Copa do Nordeste: na quarta, o Rubro-Negro vai ao Rio Grande do Norte para enfrentar o América-RN; o Tricolor abre as portas da Fonte para jogar diante do Globo FC.   

Pittoni escudero bahia x vitoria (Foto: Eduardo Martins/A Tarde/Futura Press)
Pittoni escudero bahia x vitoria (Foto: Eduardo Martins/A Tarde/Futura Press)

Ânimos exaltados, expulsão e gol: 45 minutos com cara de clássico   
O primeiro tempo da partida poderia servir como resumo do que se espera de um clássico: ânimos exaltados, chances perdidas, gol e até expulsão. Em um Ba-Vi em que as duas equipes precisavam do resultado para uma espécie de autoafirmação – além dos pontos a mais na tabela do Baianão -, o ímpeto na busca pelo primeiro gol era quase previsível. E o Bahia saiu na frente no quesito iniciativa: com uma formação ofensiva, o Tricolor começou o duelo dando sufoco no rival, que conseguia se defender quando necessário. Em cobrança de falta, Souza quase abriu o placar nos minutos iniciais, e Ednei foi responsável por um belo corte em ataque de Kieza.   
Mas o Vitória não ficou atrás por muito tempo. Oportunista e usando a velocidade para sair para o jogo, o Leão marcou o adversário como pôde e tratou de aproveitar a chance quando ela surgiu. Aos 17 minutos, Vander fez jus à boa fase, traçou uma bela jogada pela direita e bateu cruzado. Jean espalmou, mas não contou com o rebote, que Neto Baiano não hesitou em engavetar: o atacante bateu forte e abriu o placar no Barradão.   
O Bahia sentiu o baque e esmoreceu. As iniciativas diminuíram, e restou para Titi a última chance aguda do Tricolor na primeira etapa: uma cabeçada certeira, defendida por Fernando Miguel. Mas não foi por isso que a torcida teve vida fácil. Aos 27 minutos, uma confusão atraiu todas as atenções da arquibancada: Neto Baiano e Pittoni se desentenderam na lateral do gramado. O atacante chegou com a perna alta e o volante com o braço esticado. Na jogada dura, Pittoni acabou acertando o rosto do adversário em uma espécie de soco e levou vermelho direto. Os jogadores do Bahia protestaram, mas não teve jeito.   
Vira o tempo, e a emoção é a mesma
Se o Vitória terminou o primeiro tempo em vantagem, iniciou a segunda etapa com cara de quem precisava recuperar as energias. Sonolento, apesar de ter um a mais em campo, o Rubro-Negro assistiu às investidas do Tricolor, que contou com a entrada de Bruno Paulista para mudar a cara do jogo a seu favor. Foi de uma jogada do jovem volante que surgiu a primeira chance, desperdiçada por Kieza. Em seguida, Maxi não cometeu o mesmo erro: aos 11 minutos, o argentino aproveitou o rebote após tentativa de Kieza e empatou, de cabeça.    
Com o susto da igualdade no placar, o Vitória até acordou, mas não soube aproveitar a vantagem numérica. A equipe voltou a atacar, apesar da falta de criatividade – elemento, aliás, que não foi exclusivo do Rubro-Negro. Até o último minuto, o clássico seguiu envolto naquela tensão tão conhecida pelos torcedores, com direito, inclusive, a chance incrível perdida por Kieza aos 46 e outra de Jorge Wagner, aos 50, que tirou os rubro-negros de seus assentos. Se o futebol apresentado não foi dos de encher os olhos, ao menos o quesito emoção foi preenchido. E o equilíbrio, quase sempre presente em clássicos acirrados, se refletiu no placar eletrônico.   


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