Roberto Fulgêncio/02-12-1989
Da falta dos sonhos volto à realidade. Já no primeiro tempo, como se fosse uma profecia se realizando, Zico dá uma caneta no marcador adversário, que não contém a lisura do Galinho e comete uma falta. Zico ajeita e “bate com a mão” – como falava meu pai -, e a bola teimou em acertar a trave… Hoje, não! Mas, como um sonho, a bola bate nas costas do goleiro e volta para dentro do gol. Hoje, sim! Gol de falta, gol do Zico. Ali, pelo menos para mim, acabou o jogo, um a zero, acabou boa parte da graça que eu via no futebol, acabou uma era. As perguntas comuns – “quanto foi?” “contra quem?”, ah, isso se tornou irrelevante. Era o último gol dele, era a última vez que o rei da Gávea erguia seu punho e corria em direção à sua torcida. Naquele momento, o tempo parou na cabeça daquela criança.
Em 2011, no departamento fotográfico da Tribuna, revirando algumas fotos antigas, me deparo com aquele momento, congelado na minha frente em forma de papel. Realmente, naquele dia, o tempo parou. O autor da “foto de placa”, Roberto Fulgêncio, editor de fotografia da Tribuna escalado para aquela partida, assim como o ídolo na falta, literalmente “bateu com as mãos” aquele clique. O Galinho, com o sorriso e o brilho do sol no rosto, punho para o céu, as arquibancadas do Mário Helênio de fundo, como mandava o figurino. Quando me perguntam sobre uma foto que eu não tirei, sem dúvida, foi uma foto do Zico. Um dia, quem sabe ?
Roberto Fulgêncio/02-12-15
Varjota Esportes - Ce. Relíquia do nosso futebol Brasileiro.
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