Ricardo Teixeira fala em entrevista sobre CBF, Fifa, Copa do Mundo, Clinton e Blatter

Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014 © Getty Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014
Em sua primeira entrevista em anos, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira afirmou que ter apoiado a candidatura do Catar à Copa do Mundo de 2022 lhe rendeu vingança (na forma dos desdobramentos do Fifagate) e ameaça de Joseph Blatter.
À CNN Brasil, o homem-forte do futebol nacional de 1989 a 2012 disse que os Estados Unidos queriam apoio do Brasil.
“Eu matei a Copa do Bill Clinton (então um dos responsáveis pela candidatura norte-americana). E eles sabem disso. É vingança, e todo mundo diz que o Clinton é muito vingativo”, disse.
Teixeira, hoje aos 72 anos e com quase 40kg a menos de sua época na CBF, também garante que Blatter, ex-presidente da Fifa, lhe recomendou voto nos EUA.
“Ele me disse: ‘Acho que você deve ficar atento, porque você tem propriedade nos EUA, sua filha está estudando lá. Você devia ter cuidado. Como é que você vai votar no Qatar? O quê que tem o Qatar a ver com você?’ Eu considerei isso como ameaça. Não falei nada, ia falar o quê? Olhei com olhar de cascavel para ele e fui lá votar no Qatar”, relatou.
Teixeira foi banido pela Fifa do futebol em 2015 depois do escândalo que culminou em uma verdadeira devassa no futebol mundial. Os Estados Unidos, através de seu Departamento de Justiça, prenderam dirigentes (vários deles sul-americanos) por supostamente terem recebido suborno em contratos de televisão.
O cartola brasileiro, por sinal, não pode ir a países com acordo de extradição com os EUA pois pode ser preso.
Um dos principais delatores foi J. Hawilla (1943-2018), dono da empresa de marketing Traffic. O ex-presidente da CBF afirma que o empresário tentou grampeá-lo em um jantar em Miami de 2014 e que agentes do FBI estavam disfarçados de garçons.
“Eu tinha certeza absoluta que ele me vinha com alguma cafajestada, como veio. Eu tenho 72 anos, já tinha 65 ou 66, não posso ser tão burro, né? Eles botaram sete caras do FBI para me gravar com ele falando negócio de agência, de dinheiro. Cadê essa gravação? No mínimo, é o que estou dizendo, (os agentes do FBI) são incompetentes”, falou.
Ele garantiu que se pudesse processaria “todos” que o acusam de receber propina. Sobre J. Hawilla, decretou: “Ele morreu e morreu mentindo”.
Ricardo Teixeira também afirmou que saiu da presidência da CBF em 2012 por causa da saúde, não pelas acusações contra ele: “Saí porque estava à (beira da) morte, porque tive que fazer um transplante de rim. Já estava com problema no rim desde 2011, quando me mudei para os EUA, onde me falaram que precisava do transplante”. 

 Varjota Esportes - Ce.            /              MSN.

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