Símbolo associado ao racismo e à escravidão, um laço de forca foi encontrado na garagem de Bubba Wallace em Talladega Superspeedway, na cidade de Lincoln, Alabama, no último domingo (21). Ele é o único piloto negro da categoria. O fato ocorre menos de duas semanas após ele liderar uma empreitada que conseguiu banir de vez a bandeira dos Estados Confederados da América (outro símbolo racista) das áreas de competição. Uma briga que outros tentaram no passado e fracassaram.
"No final da tarde de domingo (21), a direção da Nascar tomou conhecimento de que um laço de forca foi encontrado na garagem da equipe 43. Reagimos com raiva e indignação", diz comunicado da categoria, nesta segunda-feira (22).
"Iniciamos imeditamente uma investigação e faremos todo o possível para identificar a(s) pessoa(s) responsável(is). Vamos punir e expulsar ela(s) do nosso esporte", diz em nota.
"Como declaramos, não há lugar para o racismo na Nascar, e esse ato apenas fortalece nossa determinação de seguir adiante, tornando este esporte aberto e acolhedor para todos".
Por sorte, Wallace não chegou a ver o laço de forca, segundo Marty Smith, da ESPN. Quem encontrou o objeto na garagem foi um membro da equipe do piloto. Imediatamente ele chamou um diretor da prova.
Wallace, que dirige o Chevrolet 43, ícone guiado pela lenda Richard Petty (sete vezes campeão da Nascar), disse em comunicado que ficou "incrivelmente triste" ao saber do ocorrido. Ele tem sido uma voz firme na luta contra o racismo.
"Esse desprezível ato de racismo e ódio me deixa incrivelmente triste e serve como um lembrete doloroso do quanto temos que evoluir como sociedade e de quão persistentes devemos ser na luta contra o racismo", escreveu Wallace, no Twitter.
Todos os jogadores e árbitros em campo se ajoelharam após o apito inicial
"Nas últimas semanas, fiquei impressionado com o apoio de pessoas da Nascar, incluindo outros pilotos e equipes. Juntos, nosso esporte se comprometeu a promover mudanças reais e a defender uma comunidade e acolher todos.”
"Nada é mais importante e não seremos impedidos pelas ações racistas daqueles que buscam espalhar o ódio. Como minha mãe me disse hoje: ‘Eles estão apenas tentando assustá-lo’. Isso não vai me derrubar, eu não voltarei atrás".
A Nascar passou anos tentando se distanciar da bandeira dos Estados Confederados, um dos símbolos mais conhecidos do ódio contra negros. A bandeira faz parte de suas raízes desde a sua fundação, há mais de 70 anos. Há cinco anos, o ex-presidente Brian France tentou proibir o uso, em uma proposta que não foi aplicada e foi amplamente ignorada.
Neste ano, Wallace liderou o movimento, pedindo que o órgão responsável proibisse a bandeira. Obteve sucesso formal, pois a batalha promete ser longa. No domingo (21), fora do autódromo houve protestos. Muitos veículos passaram agitando bandeiras da Confederação e uma aeronave sobrevoou a pista, puxando um banner com a mensagem "Cortem a Nascar", em tradução livre.
A diretoria da categoria não disse como planeja impedir os fãs de exibir a bandeira fora das áreas de competição. Andrew Murstein, coproprietário da Richard Petty Motorsports, disse ao “Sports Business Journal” que ficou "chocado e triste" com o incidente.
"Você gostaria de pensar que o país mudou para melhor nos últimos 40 anos . Infelizmente, isso não aconteceu”.
Michael McDowell, que dirige o Ford 34, twittou: "Deus nos ajude. O nível de maldade necessário para fazer algo assim é nojento. Isso é enfurecedor e comovente, tudo ao mesmo tempo".
A estrela do Los Angeles Lakers, LeBron James, também comentou no Twitter, escrevendo:
“Bubba Wallace, meu irmão! Sei que você não fica sozinho! Estou aqui com você e com todos os outros atletas. Quero apenas continua. Estou orgulhoso de você por continuar a defender mudanças aqui na América e no esporte! Nascar, também os saúdo!”.
A corrida do último domingo foi adiada para esta segunda-feira (22), ás 15h (horário do Alabama) por causa do mau tempo. Trata-se do primeiro evento da Nascar em meio à pandemia do novo coronavírus.
Varjota Esportes - Ce. / MSN.
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