Especial Ceni: Alexandre, o goleiro que mudou destino de Rogério pelo São Paulo

Promissor e com talento para cobrar faltas, ele era cotado para ser titular do São Paulo até que uma tragédia tirou sua vida 

Goleiro Alexandre era reserva de Zetti no time campeão da Libertadores de 1992

  Arquivo pessoal
Goleiro Alexandre era reserva de Zetti no time campeão da Libertadores de 1992

"Aí vem Gerrard pra cobrança, pé direito, bateeeeeeeuuuuu...Alexaaaaaaaaandre! Subiu grande defesa colocou a bola pela linha de fundo! o Gerrard bate muito bem na bola...que defesa do Alexandre! Que defesa fantástica do Alexandre! Isso é bola de gol! Salva o tricolor mais uma vez!"
Sentiu alguma coisa estranha, torcedor do São Paulo? Pois a história da partida contra o Liverpool no Mundial de 2005 poderia ter sido contada desta forma se uma tragédia não tivesse mudado o destino de dois jovens jogadores da equipe.

Rogério Ceni chegou do Sinop-MT em 7 de setembro de 1990 e, apesar de ser campeão estadual pelo profissional da equipe, foi enviado para as categorias de base do São Paulo, que já contava com Gilmar Rinaldi, Zetti e Marcos, além de um promissor goleiro que também jogava nas categorias de formação do clube.
Alexandre era preparado para ser o titular e grande nome do clube no futuro. Goleiro rápido, com boa impulsão e que contava com um diferencial: sabia jogar com os pés, e mais que isso, batia faltas e pênaltis, fato raro para goleiros na época.
Rogério observava e, com a influencia do companheiro, começou a arriscar as cobranças, mas ainda sem o mesmo sucesso, que também só realizava a atividade durante os treinamentos, sem chances durante os jogos.
Alexandre ao lado de seu pai na cidade de Itu
Arquivo pessoal
Alexandre ao lado de seu pai na cidade de Itu

Com a saída de Gilmar Rinaldi, Zetti assumiu a posição de titular e Marcos foi promovido a reserva imediato, mas sem agradar nos treinos perdeu espaço e Alexandre, que participou da campanha do vice-campeonato da Copa São Paulo de 1992, seria o camisa 12 da Libertadores de 1992.
Com Zetti em excelente fase, era impossível imaginar que Alexandre tivesse chances naquele torneio. Porém, uma expulsão do titular em uma partida contra o Nacional no Uruguai rendeu ao garoto uma chance. Primeiro, mesmo com um jogador a menos, garantiu a vitória do São Paulo naquela partida. No jogo de volta, com boa atuação, ajudou o clube a confirmar a vitória por 2 a 0 e garantir a classificação.
Mesmo sem entrar em campo, Alexandre teve participação importante na final do torneio. Durante a decisão por pênaltis ficou parado no meio campo e indicava para Zetti o modo que os jogadores do Newell's Old Boys faziam a cobrança. Como resultado, o titular acertou quatro vezes o canto em que os argentinos fizeram a batida e fez uma defesa, garantindo o título da competição.
Após a conquista da Libertadores o clube encaminhava a venda de Zetti ao futebol alemão. Confiava que Alexandre poderia substituir o titular com extrema competência.
Enquanto tudo isso acontecia, Rogério permaneceu como quarta opção de Telê Santana para o gol do São Paulo. Seguia treinando e defendendo as categorias de base da equipe, mas sem grandes esperanças no momento, pois Alexandre era um fenômeno e com certeza faria história com a camisa do clube.
Alexandre via a grande chance de sua vida aparecer. Seria titular de um grande clube, havia comprado um carro novo e pediria a sua namorada em casamento. E nesta hora o destino resolveu agir. Depois de aproveitar um raro sábado de folga do time de Telê, o goleiro foi para um churrasco em São Roque. Na volta, perdeu o controle de seu carro na Castelo Branco e bateu em um muro de proteção, encerrando procecemente sua trajetória.
Pela equipe, o goleiro atuou em sete partidas, sem sofrer nenhum gol, marca que só aumenta a certeza sobre o quanto sua história poderia ser inesquecível.
Sem Alexandre, o São Paulo cancelou a venda de Zetti e promoveu Rogério ao time principal. O titular permaneceu no clube até 1996, abrindo espaço para que o menino de Pato Branco construísse sua história.
Rogério Ceni ainda jovem no São Paulo
Arquivo Histórico do São Paulo Futebol Clube
Rogério Ceni ainda jovem no São Paulo
No total, são 25 anos de São Paulo, com 1.237 partidas e, usando o que Alexandre ensinou, com 131 gols marcados, número que faz dele o maior goleiro artilheiro de todos os tempos. Rogério Ceni se tornou marca do clube e maior ídolo da sua história, mas sabe bem que tudo poderia ser diferente, como revelou na sua biografia, publicada em 2009.
"Alexandre era muito melhor do que eu (…) Minha carreira, com certeza, seria completamente diferente caso Alexandre não tivesse partido. Ele era apenas um ano mais velho do que eu. Ocuparia a sua posição por muito tempo. Quem sabe até hoje", afirmou.
A história do goleiro no São Paulo se encerra no próximo dia 11, mas isso só foi possível por que o destino quis que Alexandre não pudesse completar sua trajetória, caso contrário, Rogério poderia ser apenas mais um que passou, sem brilho, pela equipe do Morumbi. 

 Varjota  Esportes - Ce.       /           Globoesporte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

NOSSO FUTEBOL COM ERNANDO MESQUITA.