Principal tenista do país no masculino, Daniel Rodrigues abriu atropelando o torneio de tênis em cadeira de rodas da Paralimpíada do Rio. Dono de dois títulos de simples no ano (Indian Wells e Copa Bahia), o atleta de 29 anos contou com um forte apoio dos torcedores na quadra central do Centro Olímpico de Tênis, localizado dentro do Parque Olímpico, e derrotou nesta sexta-feira o chileno Robinson Mendez, por 2 sets a 0, com direito a pneu na primeira parcial: 6/0 e 6/4.
- Essa vitória foi emocionante. A torcida... nunca joguei assim, e em casa foi fantástico. A torcida é como um jogador que está ali dentro ajudando. Tem um nervosismo, de fazer o primeiro jogo na quadra central, dá aquele frio na barriga. Mas eu consegui dosar isso e ganhar o jogo, que é o mais importante - avaliou Daniel.
Número 18 do mundo, o mineiro tem um páreo duro pela frente, já na segunda rodada dos Jogos. Ele encara Shingo Kunieda, atual bicampeão paralímpico e 6º colocado no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF). O japonês não precisou disputar a primeira fase por ser um dos 12 melhores cabeças de chave da competição.
- Agora é esperar o próximo adversário (Shingo Kunieda), que era o número 1 do mundo. É um cara que já ganhou as duas últimas Paralimpíadas. É se preparar, contar de novo com a torcida, que faz muita diferença, e buscar sempre a vitória - disse o tenista brasileiro.
Daniel nasceu com má formação na perna direita, 20 centímetros menor que a esquerda. Praticante do tênis em cadeira de rodas desde os 19 anos, ele decidiu amputar a perna em 2013 após sofrer com complicações de uma cirurgia que fez para tentar reverter o quadro. Passado o procedimento, ele conquistou o bronze no individual e a medalha de prata de duplas nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, ano em que alcançou também seu melhor ranking de simples (17º lugar).
Mais brasileiros em quadra
Um dos mais experientes tenistas da delegação brasileira, Maurício Pommê (61º) perdeu na primeira rodada, superado pelo polonês Kamil Fabisiak (20º) pelas parciais de 6/1 e 6/2. O paulista de 46 anos, que ficou paraplégico ao cair do telhado de sua academia, segue no Rio para a chave de duplas. Ele e Carlos "Jordan" Santos estreiam contra os coreanos Ho Won Im e Ha-Gel Lee.
Rafael Medeiros (36º), que perdeu o movimento das pernas aos 2 anos de idade por conta de um cisto na medula, também não passou da estreia. Ele caiu diante do americano Steve Baldwin (80º) pelas parciais de 6/2, 4/6 e 6/3. O atleta mineiro ainda disputa as duplas junto com Daniel Rodrigues. Os dois entraram direto nas oitavas de final e jogam contra os cabeças de chave 5 Tom Egberink e Maikel Scheffers, da Holanda.
No quad (para atletas que têm deficiência também nos membros superiores), o Brasil está representado pela primeira vez em Paralimpíadas. Ymanitu Silva, que ficou tetraplégico após um acidente de carro em 2007, passou pelo britânico Jamie Burdekin por 2 sets a 1, parciais de 6/2, 2/6 e 6/1. O tenista catarinense joga as quartas de final contra o sul-africano Lucas Sithole, cabeça de chave 3.
O outro representante do país na categoria é Rodrigo Oliveira, atleta que teve meningite após o nascimento e ficou sem os movimentos das pernas e do lado esquerdo do corpo. O brasiliense estreia ainda nesta sexta-feira, contra o japonês Mitsuteru Moroishi.
A partir de 18h30 (de Brasília), são realizados as partidas da sessão noturna da quadra central. A goiana Rejane Cândida e a pernambucana Natália Mayara estreiam diante das americanas Dana Mathewson e Kaitly Verfuerth, em duelo válido pelas oitavas de final das duplas femininas. Em seguida, o piauiense Carlos Santos, o "Jordan" (27º), que teve atrofia nas pernas fruto de uma sequela de poliomelite aos 2 anos de idade, fecha a programação diante do espanhol Martin de la Puente (26º).
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
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