Empatia, confiança e braçadeira: após 16 anos, Mancini e Artur lideram Chape Escolhido para ser o capitão no ano da reconstrução, goleiro segue ensinamentos da época em atuaram juntos e treinador exerceu a função pelo Paulista de Jundiaí

 Artur Vagner Mancini Chapecoense Paulista (Foto: Arquivo Pessoal)Artur e Vagner Mancini celebram o título brasileiro da Série C no Paulista, em 2001 (Arquivo Pessoal)

















Confiança se conquista com o tempo. Na Chapecoense, essa máxima é muito mais do que somente teoria. Depois de mais de um mês de rodízio, Vagner Mancini definiu com a chegada da Libertadores quem herdaria o posto de capitão. E motivos não faltam para entender a escolha de Artur Moraes. Mais experiente do elenco, com maior rodagem internacional e, acima de tudo, amigo de longa data do treinador. Desde a época em que era Mancini quem envergava a braçadeira diante de um jovem goleiro recém-promovido no Paulista de Jundiaí.   
Juntos, Vagner e Artur tiveram sucesso no interior de São Paulo no início do Século. A diferença de 15 anos nunca impediu a empatia entre o jovem de promissor, de 19, e o experiente meio-campista, de 34, condutor da equipe nos títulos das séries A2 do estadual e C do Brasileirão, em 2001. No ano seguinte, o goleiro foi para o Cruzeiro e rodou o mundo até reencontrar, 15 anos depois, um Mancini que, em 2005, iniciou na própria Jundiaí, com direito a título da Copa do Brasil, a carreira de treinador.   
- É bacana nos reencontrarmos depois de tanto tempo. No Paulista, eu já com uma certa idade, o Artur garoto já mostrava um potencial muito grande. Mesmo com a diferença de idade, tínhamos muita amizade pela maneira de pensar e isso se comprova hoje. Ele é meu capitão, o que é fruto também dessa amizade longa - apontou o comandante.   
E os ensinamentos de Mancini nunca passaram despercebidos por Artur. O jovem promissor e cheio de personalidade de Jundiaí não demorou muito para seguir para Europa, onde teve a primeira experiência como capitão. Na passagem de cinco anos pelo Benfica, usar a braçadeira passou a ser comum:
Artur Vagner Mancini Chapecoense Paulista (Foto: Cahê Mota / GloboEsporte.com)
- A lembrança que tenho do Vagner é do capitão que nos liderou em duas conquistas importantes. Era uma referência como jogador e como pessoa. Dentro do vestiário, era um exemplo a seguir. A postura no dia a dia, as colocações de grupo na hora certa... O Vagner sempre foi muito inteligente de colocar as palavras no momento certo.    
Já tínhamos certo: quando o time não estava bem, arrumávamos uma briga entre nós. Ou eu chegava xingando o Artur, ou ele xingava o Anderson (Batatais) para acordar o time
Mancini recorda passagem com Artur, em 2001
Características que encontraram eco em Artur. Mesmo garoto em um time que tinha outras promessas, como Nenê, Victor (Atlético-MG) e Marcinho (ex-Palmeiras e Corinthians), o goleiro chamava a atenção do capitão:   
- O futebol tem a capacidade de unir e surpreender. O Artur sempre foi muito responsável. Demonstrava um poder de concentração grande, uma liderança, embora jovem.   
Personalidade comprovada no trato que ambos tinham para chacoalhar os companheiros do Paulista em dias de atuações sonolentas.   
- Já tínhamos certo: quando o time não estava bem, arrumávamos uma briga entre nós. Ou eu chegava xingando o Artur, ou ele xingava o Anderson (Batatais) para acordar o time. Estávamos relembrando isso.   
Artur se diverte ao recordar as discussões, forjadas ou verdadeiras. Mas é outra imagem que o capitão da Chapecoense guarda como inspiração para 2017:
Artur Vagner Mancini Chapecoense Paulista (Foto: Cahê Mota / GloboEsporte.com)
- Vi muito o Mancini erguer (troféu). Espero poder repetir esse gesto aqui. De vez em quando, quebrávamos o pau dentro de campo (risos). Mas eram discussões sadias para dar uma levantada na equipe.    
Vi muito o Mancini erguer (troféu). Espero poder repetir esse gesto aqui
Artur, capitão da Chapecoense
Nem só de rasgação de seda foi feita a resenha de volta ao passado na conexão Chapecó-Jundiaí. Com tanta história para contar, a relação treinador e capitão abriu espaço para brincadeiras entre amigos, e Artur se dividiu entre a precaução e o elogio ao abrir o baú de histórias.   
- Você vai me sacanear, né? (risos). Ele tem uma paradinha para cobrar pênaltis que nunca vi ninguém pegar.   
Mancini deixou os causos em off e preferiu focar nos efeitos da idade:   
- O Artur já está começando a ficar um pouco grisalho, diferente.   
O goleiro aliviou:   
- O Vagner se tirar a barba é a mesma coisa (risos).   
Resistente ao tempo como a amizade entre ambos. Seja o jovem e o experiente ou o capitão e o treinador, a empatia que se transformou em confiança aponta os líderes de uma Chapecoense que renasce em 2017. 

  Varjota  Esportes - Ce.          /           Globoesporte.

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