O gestor de futebol Zezé Perrella concedeu entrevista depois do rebaixamento do Cruzeiro à Série B, com derrota por 2 a 0 para o Palmeiras, neste domingo, no Mineirão. A primeira resposta dele, em tom de desabafo, durou 12 minutos. Entre os principais pontos, a sensação de enfrentar um dos piores dias da vida, o pedido de perdão aos torcedores, o desejo de continuar na diretoria para reerguer o departamento de futebol e a garantia de que o clube voltará fortalecido à primeira divisão.
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“Hoje é um dia muito triste. Só tive um dia parecido como esse há 12 anos, quando perdi meu pai e a minha mãe na mesma semana. A sensação é bem parecida. Não estou aqui para arrumar desculpa, mas acho que cada um de nós que vivemos o Cruzeiro e tentamos fazer alguma coisa, temos alguma parcela de responsabilidade. Quando aceitei trabalhar como gestor de futebol, sabia do risco que estava correndo pelo meu legado de 17 anos. Resolvi aceitar esse desafio sabendo da imensa dificuldade que ia encontrar”, afirmou.
“Quando a gente vinha para cá no ônibus, via essas pessoas torcendo, gritando, vibrando. Com essa possibilidade de cair, o torcedor ainda sai de casa e vem ajudar. Essas pessoas, eu sinto demais por elas. É para esse torcedor que estou me dirigindo. Se eu errei, se tenho alguma parcela de responsabilidade, é sempre tentando acertar. Nunca pequei por omissão. E nesse momento, entendi que tinha de fazer alguma coisa para ajudar”, prosseguiu.
“Digo a vocês uma coisa. Se o Cruzeiro não caísse, eu já teria comunicado ao presidente Wagner, tinha conversado com o próprio Valdir, com o Marcelo e o Adilson. Eu não continuaria e voltaria à minha situação de presidente do Conselho. Mas hoje quero ficar. Quero ficar para ajudar a reconstruir e voltar o Cruzeiro para o lugar que ele nunca deveria ter saído, que é a primeira divisão. Obviamente, continuarei se tiver respaldo de quem realmente é dono do Cruzeiro. Se os torcedores entenderem que eu tenho condições de contribuir, continuarei dando a minha contribuição. Não sou de fugir das responsabilidades”, ressaltou o dirigente.
Presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella assumiu a gestão de futebol do Cruzeiro no dia 11 de outubro, pouco depois da saída do ex-vice-presidente de futebol Itair Machado. Na ocasião, prometeu correr atrás de recursos para pagar salários que estavam atrasados. Com auxílio de patrocinadores e adiantamentos de cotas de televisão, conseguiu quitar a folha de agosto e parte das remunerações de setembro, porém não honrou os demais débitos. Dentro de campo, a equipe não conseguiu pontuação suficiente nas 14 rodadas finais - três vitórias, seis empates e cinco derrotas - e caiu para a Série B em 17º, com 36 pontos em 38 jogos (31,57% de aproveitamento). Foram sete vitórias, 15 empates e 16 derrotas, com 27 gols marcados e 46 sofridos.
Varjota Esportes - Ce. / MSN.
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