Coordenador de seleções da CBF, o ex-jogador Gilmar Rinaldi tem sido também o braço direito de Dunga desde que o técnico voltou à Seleção, justamente "bancado" pelo ex-goleiro, que teve opinião decisiva na escolha do substituto de Luiz Felipe Scolari. Um dos responsáveis por "amansar" o treinador, que ao assumiu o cargo avisou que pretendia melhorar a relação com a imprensa, Rinaldi acabou supreendendo ao "vetar" os jornalistas no episódio envolvendo o corte do lateral Maicon, proibindo perguntas sobre os motivos da decisão. Às vésperas do Superclássico entre Brasil e Argentina, Gilmar explicou a atitude, mas admitiu que não repetiria a postura (assista ao vídeo).
- Preferi que naquele momento esse foco ruim ficasse comigo. Eu quis proteger o profissional Maicon e meu grupo. Talvez eu cortasse essa parte das perguntas (da proibição), eu aprendo também. Acho que poderia ter evitado, tentei proteger de alguma forma, acho que não saiu bem mesmo, isso sem dúvida mudaria (...) Vou conduzir um pouco melhor, deixar abertas as perguntas sobre o assunto, que não deixei aquele dia, contando que me reservem o direito de dizer o motivo, que foi por indisciplina - o motivo é uma coisa mais interna. Nada como a primeira experiência, a primeira dificuldade para que a gente aprenda e no futuro faça melhor - disse, em entrevista ao"SporTV News".
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O episódio aconteceu depois do primeiro amistoso do Brasil sob o comando de Dunga. Titular no jogo contra a Colômbia, Maicon foi desligado por indisciplina e ficou de fora da segunda partida, contra Equador. Depois,soube-se que o lateral se apresentou com 11 horas de atraso, o que motivou o corte. Apesar de todos os cuidados da comissão técnica ao tratar do assunto e, especialmente, preservar o jogador, a atitude foi tratada como uma "resposta" de Dunga, que voltou ao comando destacando a importância do comprometimento.
Maicon não voltou a ser chamado para o jogo contra a Argentina, sábado, e Japão, dia 14. Gilmargarante que as portas da Seleção estão abertas, mas reforça o espírito que espera dos jogadores e, apesar do trabalho ainda estar no início, já vê reflexos.
- A primeira coisa que pensamos era colocar a filosofia. Não cheguem para se preparar na seleção, se preparem para estar aqui. Aqui não é um ponto de chegada, é o ponto de partida. A gente quer que eles acreditem que nosso sonho é muito grande, pensamos grande aqui, aqui é seleção brasileira. Quem passou por aqui tem que saber disso, e tem que saber que isso tem um peso e um preço a pagar. Quem está disposto a pagar é muito bem vindo. Quem não está vai perder a cadeira - afirmou.
Em relação a Dunga, Gilmar Rinaldi também vê mudanças. O coordenador revela que tem conversado constantemente com o treinador, para que ele consiga manter uma fase definida pelo apresentador Marcelo Barreto como "paz e amor" no relacionamento com a imprensa.
- O que a gente tem feito é conversar muito. Eu estava no Inter quando chegou o Dunga e sempre falei, daquela época, que ele nunca foi o Dunga, sempre foi o Zangado. E a gente sempre brincou com ele, porque ele é assim, é da natureza dele. Ele sofreu muito, foi muito criticado, então, muitas vezes, já pensa que está sendo atacado. Então procuro conversar, desarmar - explicou.
A Seleção enfrenta a Argentina, no Superclássico das Américas, no próximo sábado, às 9h (horário de Brasília), em Pequim, com transmissão do "SporTV". Os assinantes do Canal Campeão também podem acompanhar os lances pelo SporTV Play.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
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