De quarteto a quarteto, Tardelli busca título “até maior que a Libertadores” Único sobrevivente do setor ofensivo do título da Libertadores, atacante se reinventa com novos colegas: saem Bernard, Ronaldinho e Jô, entram Dátolo, Luan e Carlos


 

Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Diego Tardelli e Jô. Dátolo, Luan, Diego Tardelli e Carlos. Do título da Libertadores de 2013 à expectativa da conquista da Copa do Brasil de 2014 (relembre o primeiro jogo da final no vídeo acima), muita coisa mudou na base do ataque do Atlético-MG. Mas Tardelli segue lá. Amado pela torcida, referência técnica do time, ele é o sobrevivente do setor ofensivo do Galo. E pode experimentar um título ainda mais saboroso do que aquele do ano passado.

Mais saboroso por um exclusivo motivo: ser contra o Cruzeiro. Claro, não há viva alma na Cidade do Galo que ignore a superioridade de uma Libertadores sobre uma Copa do Brasil. Mas a rivalidade pesa. E a torcida, em surto com a chance de ser campeã sobre o maior rival, deixa claro aos jogadores o tamanho da possível conquista da próxima quarta-feira.

- Acho que, se acontecer, vai ser até maior do que a Libertadores. Pelo momento, por ser um clássico. A torcida quer sempre ganhar do Cruzeiro. Acho que vai ser mais marcante do que a Libertadores se a gente vencer – diz Diego Tardelli.
Diego Tardelli, Atlético-MG (Foto: Alexandre Alliatti)Diego Tardelli vislumbra conquista da Copa do Brasil como título até maior que Libertadores.  (Foto: Alexandre Alliatti)

Era o quarteto mais falado no ano passado, e eu sobrei para contar a história"
Diego Tardelli
Tardelli quer muito o título. É uma conquista que nem ele nem o Galo têm. E que pode referendar ainda mais a importância do jogador para o Atlético. Afinal, Bernard saiu, Ronaldinho saiu, agora Jô foi afastado. E o rendimento ofensivo se manteve parecido - em parte, graças à presença de Tardelli, o núcleo do ataque do Atlético.

- O Atlético mudou bastante. Mudaram os jogadores. Mas a forma de jogar nunca mudou, especialmente aqui dentro de casa, onde a gente é forte. Saíram peças importantíssimas, caso do Ronaldo, do Jô, do Bernard. Era o quarteto mais falado no ano passado, e eu sobrei para contar a história. Mas a gente é forte. Os jogadores que entraram puderam dar conta do recado, assimilaram o que é jogar no Atlético, o que é representar e substituir esses jogadores do ano passado – comenta o atacante.

Diego Tardelli se reconhece como parte fundamental da engrenagem. Entende que sua permanência no clube foi decisiva para essa passagem de bastão entre o quarteto do ano passado e o atual. E percebe que o grupo atleticano se fez muito forte para compensar a perda de individualidades tão fortes.
Diego Tardelli, Atlético-MG (Foto: Alexandre Alliatti)Diego Tardelli vê coletivo mais forte em 2014 após desmanche do quarteto (Foto: Alexandre Alliatti)
- Mantive meu desempenho do ano passado. Não mudei nada do que fiz. Minha participação foi importantíssima na Libertadores. Saíram grandes jogadores, mas conseguimos formar outro grupo, e o time encaixou de maneira diferente. O grupo foi mais forte agora do que aquele quarteto do ano passado.

A ausência de Ronaldinho é uma questão fundamental para se entender a dinâmica do Atlético. A vivacidade de Bernard encontrou em Luan um paralelo; a ameaça ofensiva de Jô, mesmo com características diferentes, teve em Carlos uma continuidade. Mas, com Dátolo em vez de Ronaldo, o Galo se tornou menos genial e mais combativo.

Tardelli se derrete pela qualidade técnica do quarteto do ano passado. E lembra que valia a pena correr por Ronaldinho.

- São quartetos bastante diferentes. Jogar com Ronaldo, Jô, Bernard... São jogadores que pensam a mesma coisa. E os jogadores corriam pelo Ronaldo. Pela história dele, tínhamos que fazer alguma coisa diferente. Quando ele não estava, corríamos o dobro por nós. São quartetos diferentes. Mas aquele ficou marcado também na história no Atlético.

O ídolo e o novato
Carlos e Dátolo, jogadores de Atlético-MG - Final da Copa do Brasil (Foto: Reprodução/TV Globo Minas)Carlos (E) recebe conselhas de Tardelli e sonha ser como o colega (Reprodução/TV Globo Minas)
Diego Tardelli não é o jogador mais velho do setor ofensivo atleticano. Tem 29 anos. Dátolo tem 30. Mas é o dono do pedaço. E joga ao lado de Carlos, 19, o mais jovem do time titular. No garoto, o atacante vê seu passado. E tenta orientá-lo, usando a própria experiência.

- O Carlos é rápido, tem uma técnica muito boa, é inteligente. É jovem ainda. Vai amadurecer bastante. Pelo começo dele, se nota que é diferente. Gosto bastante dele, estou sempre ao lado dele dando conselhos. Ele tem um grande futuro pela frente. Tem que partir dele, com atitude, profissionalismo, responsabilidade. Sempre escutamos bastante conselho e deixamos passar. Tive um começo de carreira meio conturbado, pelo momento, pela adolescência, com 18, 19 anos, que é a idade do Carlos. Tomei alguns tombos. O que aconteceu comigo eu não quero que aconteça com ele. Tem que escutar as pessoas mais velhas, os pais dele, a família. Ele é um garoto bom, muito querido por nós. Tenho certeza de que está no caminho certo.
Espero chegar um dia a ser como ele"
Carlos
Carlos parece disposto a ouvir os conselhos de Tardelli. Sabe que pode enxergar no colega de time a personificação do sucesso com a camisa atleticana. Usa o companheiro como espelho.

- Admiro muito a pessoa que ele é. No futebol, admiro muito a inteligência e a velocidade dele. Eu me espelho no futebol dele e espero chegar um dia a ser como ele.

Tardelli e Carlos buscam na próxima quarta-feira o título da Copa do Brasil. O Atlético venceu o primeiro jogo por 2 a 0. Joga até por derrota de dois gols, a partir do 3 a 1, para ser campeão no Mineirão. 


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