© Fornecido por Max Rossi/Reuters O zagueiro Domagoj Vida, da seleção da Croácia.
Surpresa da Copa da Rússia ao chegar pela primeira vez a uma final do mundial, a seleção da Croácia se viu envolvida em polêmica após a exposição do nacionalismo de seus jogadores. Parte disso tem raízes na tumultuada história croata, marcada por guerras e conflitos.
Em vídeo divulgado pelo jogador Lovren após a vitória sobre a Argentina, ainda na primeira fase da competição, os croatas aparecem cantando no vestiário a música Bojna Cavoglave, da banda Thompson, que faz apologia ao fascismo.
A canção se inicia com a frase "Za dom spremni", que em português significa "Pela pátria, preparados", lema e saudação tradicional do grupo fascista Ustase, que controlou a Croácia durante a Segunda Guerra Mundial. Os nazistas cederam o governo croata a essa milícia local em 1941, quando ocuparam a antiga Iugoslávia.
O segundo episódio controverso ocorreu logo depois da vitória da Croácia sobre a Rússia, nas quartas de final da Copa. Em vídeo que circulou nas redes, o zagueiro Domagoj Vida e o auxiliar técnico Ognjen Vukojevic aparecem gritando "Glória à Ucrânia".
O lema remete à revolução que em 2014 destituiu o então presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich, aliado da Rússia. A crise desencadeou um conflito e, como resposta, os russos ocuparam e anexaram a península da Crimeia.
Os gritos de "Glória à Ucrânia" também são entoados por grupos contrários à Rússia que, não raro, flertam com o nacionalismo xenófobo.
A versão oficial da seleção da Croácia é de que o jogador e o auxiliar faziam uma homenagem a um clube onde já jogaram, o Dínamo de Kiev. Ambos se desculparam, mas Vukojevic foi multado e afastado da Copa. Vida, uma das estrelas da seleção croata, foi advertido pela Fifa.
© Fornecido por Christian Hartmann/Reuters Torcida da Croácia no jogo contra a Inglaterra, que garantiu a vaga na final da Copa da Rússia.
Em outro vídeo ainda sob investigação, Vida aparece dizendo "Belgrado em chamas!" após os gritos de "Glória à Ucrânia". Belgrado é a capital da antiga Iugoslávia e, hoje, capital da Sérvia. Inimigos históricos da Croácia, os sérvios são antigos aliados da Rússia, com quem possuem laços étnicos e religiosos.
A milícia Ustase, que controlou a Croácia com o apoio de Adolf Hitler na Segunda Guerra, promoveu um genocídio de sérvios. Foi também um conflito sangrento com os sérvios, com massacres de ambos os lados, o resultado do processo de independência da Croácia da antiga Iugoslávia, a partir de 1991. Esse histórico de guerra nos Bálcãs explica parte do incômodo causado pela euforia nacionalista dos croatas.
O futebol croata já foi marcado por outros episódios de cunho fascista e até nazista. Em 2013, a saudação Ustase foi feita pelo jogador Josip Simunic quando a Croácia se classificou para a Copa do Mundo de 2014. Ele foi punido e não pode participar do mundial no Brasil.
Em 2015, a Croácia sofreu sanções por uma suástica marcada no gramado do estádio onde havia sido disputada uma partida contra a Itália.
Nesta Copa da Rússia, a seleção croata chega à final com a fama de jogar com garra. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o próprio técnico Zlatko Dalic atribui a dedicação em campo ao nacionalismo da equipe, que seria responsável pela união do grupo. "É o nosso combustível".
Varjota Esportes - Ce. / MSN.
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