Victor ganhou fama de santo no Atlético-MG. Mas foi infernizado por tensões sem tamanho até ser canonizado pela torcida na conquista da Libertadores do ano passado. Experimentou uma montanha-russa de adrenalina – com chutes defendidos no último minuto, reviravoltas, vitórias nos pênaltis, viradas inacreditáveis. Colecionou grandes defesas, esteve à beira de repetidas eliminações (para Tijuana, Newell's, Olimpia, Corinthians, Flamengo), redimensionou a noção de sofrimento – para depois encontrar o êxtase do impossível. Tanta emoção depois, ele só quer um pouco de paz. Manter os títulos, mas sem tanta loucura.
- O ideal é vencer sem tanta emoção – diz ele.
Pode ser o caso da Copa do Brasil. Se Victor não sofrer gol contra o Cruzeiro, no jogo de volta da decisão, dia 26, no Mineirão, o Atlético será campeão. Isso graças à inversão da ordem dos últimos anos: desta vez, vitória no primeiro duelo, por 2 a 0, no lugar das habituais derrotas que forçaram o time a viradas épicas.
O goleiro busca seu quarto título no Galo – já ganhou Libertadores, Recopa e Mineiro. E sua segunda Copa do Brasil – era reserva do Paulista, de Jundiaí, em 2005. Mas ele não sente suas luvas na taça ainda:
- O Atlético deu um pequeno passo. Pequeno. Não conquistamos nada.
- O ideal é vencer sem tanta emoção – diz ele.
Pode ser o caso da Copa do Brasil. Se Victor não sofrer gol contra o Cruzeiro, no jogo de volta da decisão, dia 26, no Mineirão, o Atlético será campeão. Isso graças à inversão da ordem dos últimos anos: desta vez, vitória no primeiro duelo, por 2 a 0, no lugar das habituais derrotas que forçaram o time a viradas épicas.
O goleiro busca seu quarto título no Galo – já ganhou Libertadores, Recopa e Mineiro. E sua segunda Copa do Brasil – era reserva do Paulista, de Jundiaí, em 2005. Mas ele não sente suas luvas na taça ainda:
- O Atlético deu um pequeno passo. Pequeno. Não conquistamos nada.
Confira abaixo entrevista exclusiva com o camisa 1 atleticano.
Vendo um jogo do Atlético, é muito fácil perceber o tamanho da identificação da torcida com você. E isso aconteceu em pouco tempo. São pouco mais de dois anos de clube. A que se deve essa relação?
Muita coisa aconteceu desde minha chegada no Atlético. Com pouco mais de um ano, fomos campeões da Libertadores. E agora temos a possibilidade de mais uma grande conquista. Tenho que agradecer por ter chegado no momento certo do clube, que vinha de um período muito grande sem conquistas. Tive a possibilidade de chegar no momento oportuno. O clube disputa agora a Copa do Brasil, foi campeão da Libertadores, campeão da Recopa, campeão mineiro. Isso gera identificação com o torcedor. É fruto de um trabalho individual e coletivo. Sou muito feliz pelo que aconteceu no Atlético.
E sua versão mais otimista, ao acertar com o Atlético, poderia esperar tudo isso?
Naquele ano de 2012, o que era mais palpável era o título brasileiro. O Atlético vinha fazendo uma boa campanha. Conversando com pessoas do Atlético, com meu empresário, ele falou da estrutura do Atlético, do trabalho que vinha sendo realizado aqui, e do desafio que era chegar ao clube, conquistar títulos, um clube de grande torcida, mas que era um pouco carente de títulos. Era a grandeza de conquistar esses títulos. Vim pelo desafio, pela possibilidade de conquistas.
Muita coisa aconteceu desde minha chegada no Atlético. Com pouco mais de um ano, fomos campeões da Libertadores. E agora temos a possibilidade de mais uma grande conquista. Tenho que agradecer por ter chegado no momento certo do clube, que vinha de um período muito grande sem conquistas. Tive a possibilidade de chegar no momento oportuno. O clube disputa agora a Copa do Brasil, foi campeão da Libertadores, campeão da Recopa, campeão mineiro. Isso gera identificação com o torcedor. É fruto de um trabalho individual e coletivo. Sou muito feliz pelo que aconteceu no Atlético.
E sua versão mais otimista, ao acertar com o Atlético, poderia esperar tudo isso?
Naquele ano de 2012, o que era mais palpável era o título brasileiro. O Atlético vinha fazendo uma boa campanha. Conversando com pessoas do Atlético, com meu empresário, ele falou da estrutura do Atlético, do trabalho que vinha sendo realizado aqui, e do desafio que era chegar ao clube, conquistar títulos, um clube de grande torcida, mas que era um pouco carente de títulos. Era a grandeza de conquistar esses títulos. Vim pelo desafio, pela possibilidade de conquistas.
O que representará para você o título da Copa do Brasil se o Atlético for campeão?
Seria extremamente importante. É um título inédito para a história do clube. Com as coisas acontecendo da forma como aconteceram, com as reviravoltas que tivemos, isso sem dúvida engrandece demais uma possível conquista. Poder dar esse título para uma torcida tão apaixonada seria uma grande satisfação.
Seria mais um título no Galo, algo que não aconteceu no Grêmio. Por que você não conseguiu no Grêmio os títulos que alcançou no Atlético?
Futebol é um esporte coletivo. Às vezes, não depende apenas de seu trabalho. Depende do trabalho e do talento de outras pessoas. Talvez os times com que eu tive oportunidade de trabalhar no Grêmio, os elencos que tive lá, não me deram essa oportunidade.
Aqui no Atlético, você tem conquistado bons resultados em clássicos. Leva isso em consideração?
Fico feliz por ter retrospecto bom. Clássico é um campeonato à parte, um mundo à parte numa competição, ainda mais quando tem dois clubes grandes num estado. Acaba tendo peso ainda maior. Temos que enaltecer o trabalho nos clássicos e de modo geral.
Seria extremamente importante. É um título inédito para a história do clube. Com as coisas acontecendo da forma como aconteceram, com as reviravoltas que tivemos, isso sem dúvida engrandece demais uma possível conquista. Poder dar esse título para uma torcida tão apaixonada seria uma grande satisfação.
Seria mais um título no Galo, algo que não aconteceu no Grêmio. Por que você não conseguiu no Grêmio os títulos que alcançou no Atlético?
Futebol é um esporte coletivo. Às vezes, não depende apenas de seu trabalho. Depende do trabalho e do talento de outras pessoas. Talvez os times com que eu tive oportunidade de trabalhar no Grêmio, os elencos que tive lá, não me deram essa oportunidade.
Aqui no Atlético, você tem conquistado bons resultados em clássicos. Leva isso em consideração?
Fico feliz por ter retrospecto bom. Clássico é um campeonato à parte, um mundo à parte numa competição, ainda mais quando tem dois clubes grandes num estado. Acaba tendo peso ainda maior. Temos que enaltecer o trabalho nos clássicos e de modo geral.
O Cruzeiro tem um timaço. Isso parece uma visão unânime. Como o Atlético fez para não perder nenhuma vez para o rival este ano? São três vitórias e três empates em seis jogos.
O Atlético tem uma equipe forte também. O Cruzeiro é tecnicamente forte, uma equipe bem montada, elenco muito forte, mas o Atlético também tem essas qualidades. Talvez o Atlético não tenha conquistado algo melhor no Brasileiro por algumas perdas significativas, pelo começo difícil que teve no campeonato. Se tivesse um começo melhor, estaria na briga pelo título. Mas vejo que o Atlético, em condições técnicas, em nível competitivo, está no mesmo nível do Cruzeiro.
O elenco é tão bom quanto o do Cruzeiro?
Não acho que tenha tantos jogadores talentosos e de renome, mas vem revelando talentos e vem conquistando bons resultados dentro de campo.
Falando em clássicos, no Grêmio você mais perdeu do que ganhou, e agora mais ganha do que perde. Isso marca, né?
Futebol é coletivo. Não fui eu que ganhei ou perdi clássico. É o time, a instituição. Mas é legal ter um retrospecto favorável em clássico. O trabalho tem que ser analisado como um todo, de forma geral, e vem sendo bem realizado.
Você viveu duas decepções muito fortes recentemente: a perda do Mundial de Clubes, com o Atlético, e da Copa do Mundo, com a Seleção. Ganhar a Copa do Brasil, caso aconteça, pode amenizar isso?
Cara, eu sempre procuro levar as coisas pelo lado positivo. A decepção do Mundial existiu, mas só chegamos lá depois de uma grande conquista, a da Libertadores. A decepção da Copa do Mundo foi grande, sem dúvida, mas a satisfação de poder participar por ter seu trabalho reconhecido, por ter sido bem-feito, é grande. Conquistar a Copa do Brasil seria algo fantástico, que engrandeceria ainda mais minha carreira, que vejo muito bem consolidada.
Como você se sentiu nos 7 a 1 para a Alemanha? Estava no banco, imagino que se sentindo impotente, sem poder entrar...
A única coisa que a gente podia fazer era pedir a Deus que protegesse todo mundo. O sentimento é de impotência, de não poder fazer muita coisa para reverter uma situação como aquela.
Como você se coloca na briga por um lugar na Seleção nesse ciclo para 2018?
Estou no mesmo nível dos demais goleiros. O futebol brasileiro está muito bem servido de goleiros, atuando no país ou no futebol internacional.
Cara, eu sempre procuro levar as coisas pelo lado positivo. A decepção do Mundial existiu, mas só chegamos lá depois de uma grande conquista, a da Libertadores. A decepção da Copa do Mundo foi grande, sem dúvida, mas a satisfação de poder participar por ter seu trabalho reconhecido, por ter sido bem-feito, é grande. Conquistar a Copa do Brasil seria algo fantástico, que engrandeceria ainda mais minha carreira, que vejo muito bem consolidada.
Como você se sentiu nos 7 a 1 para a Alemanha? Estava no banco, imagino que se sentindo impotente, sem poder entrar...
A única coisa que a gente podia fazer era pedir a Deus que protegesse todo mundo. O sentimento é de impotência, de não poder fazer muita coisa para reverter uma situação como aquela.
Como você se coloca na briga por um lugar na Seleção nesse ciclo para 2018?
Estou no mesmo nível dos demais goleiros. O futebol brasileiro está muito bem servido de goleiros, atuando no país ou no futebol internacional.
Na final da Copa do Brasil, qual o tamanho da vantagem do Atlético depois dos 2 a 0 no primeiro jogo?
O Atlético deu um pequeno passo. Pequeno. O Cruzeiro é muito forte no Mineirão. Temos que pregar todo o respeito. Nos dois últimos anos, é um time que vem demonstrando grande futebol. Não temos que comemorar nada. Não conquistamos nada. Demos um pequeno passo, mas não estamos confortáveis.
Em uma final como essa, geralmente se pensa no atacante que, com um gol, pode dar o título a um time. Mas se você não tomar gols na final, o Atlético fatalmente será campeão. Como é uma situação dessas para um goleiro?
É legal, uma responsabilidade grande, mas uma responsabilidade gostosa de poder ajudar em uma grande conquista. Em um jogo como esse, uma decisão como essa, qualquer um pode ser herói, fazer um gol, evitar um gol. Qualquer um pode ser protagonista.
Toda a experiência que você adquiriu em jogos tão tensos ajuda num momento como esse?
É difícil você ficar tranquilo numa decisão tão importante, de tão grande repercussão. Mesmo os jogadores mais experientes, acostumados a decisões, ficam nervosos, é normal. Mas isso tem que ser encarado como prontidão. Tem que ser transformado em motivação.
Tem torcedor do Galo dizendo que o título da Copa do Brasil vai ser ainda mais festejado que o da Libertadores, por envolver o Cruzeiro. O elenco também tem essa sensação?
A gente não tem que pensar dessa forma. A euforia a gente tem que deixar pro torcedor. Nós, aqui, dentro do clube, estamos focados na importância da conquista. Com o que acontecer depois, se acontecer a conquista, a gente vê o que faz. O foco agora é conseguir essa conquista.
É difícil você ficar tranquilo numa decisão tão importante, de tão grande repercussão. Mesmo os jogadores mais experientes, acostumados a decisões, ficam nervosos, é normal. Mas isso tem que ser encarado como prontidão. Tem que ser transformado em motivação.
Tem torcedor do Galo dizendo que o título da Copa do Brasil vai ser ainda mais festejado que o da Libertadores, por envolver o Cruzeiro. O elenco também tem essa sensação?
A gente não tem que pensar dessa forma. A euforia a gente tem que deixar pro torcedor. Nós, aqui, dentro do clube, estamos focados na importância da conquista. Com o que acontecer depois, se acontecer a conquista, a gente vê o que faz. O foco agora é conseguir essa conquista.
Esses dois anos foram de adrenalina suprema para você, com a Libertadores e agora a Copa do Brasil, disputas por pênaltis, aquele lance contra o Tijuana, viradas idênticas contra Corinthians e Flamengo... É melhor vencer assim, sofrendo, ou é melhor ter um pouco de calmaria?
O ideal é vencer sem tanta emoção. Mas conquistas como essa realmente marcam ainda mais na história de um clube, na história do futebol. A gente meio que se acostumou com isso. O Atlético aprendeu demais a passar por situações como essa. Houve um amadurecimento emocional muito grande a partir daquela situação contra o Tijuana nas quartas de final da Libertadores. Conseguimos inverter quatro placares considerados muito difíceis. Isso mostra a maturidade e força desse grupo do Atlético.
O que isso ensina ao time?
Que você não pode deixar sempre para o segundo jogo para resolver uma partida, uma classificação, um título. É legal inverter, mas você tem que, no primeiro jogo, ter o mesmo índice de concentração que no segundo jogo de mata-mata. A gente teve a capacidade de inverter situações como essa, mas não é interessante que aconteça sempre. Temos que parabenizar, porque é um feito e tanto o que essa equipe fez.
Recentemente, o João Leite, ex-goleiro e ídolo do Atlético, disse que você é o melhor goleiro da história do Atlético. Como você reagiu a isso?
Fiquei feliz, satisfeito por vir de uma pessoa que tem grande identificação e grande história no clube. Mas, para chegar a esse status, preciso disputar mais uns 450 jogos e ganhar mais uns 10 títulos de expressão para valer essa posição que o João colocou em relação a meu nome.
O ideal é vencer sem tanta emoção. Mas conquistas como essa realmente marcam ainda mais na história de um clube, na história do futebol. A gente meio que se acostumou com isso. O Atlético aprendeu demais a passar por situações como essa. Houve um amadurecimento emocional muito grande a partir daquela situação contra o Tijuana nas quartas de final da Libertadores. Conseguimos inverter quatro placares considerados muito difíceis. Isso mostra a maturidade e força desse grupo do Atlético.
O que isso ensina ao time?
Que você não pode deixar sempre para o segundo jogo para resolver uma partida, uma classificação, um título. É legal inverter, mas você tem que, no primeiro jogo, ter o mesmo índice de concentração que no segundo jogo de mata-mata. A gente teve a capacidade de inverter situações como essa, mas não é interessante que aconteça sempre. Temos que parabenizar, porque é um feito e tanto o que essa equipe fez.
Recentemente, o João Leite, ex-goleiro e ídolo do Atlético, disse que você é o melhor goleiro da história do Atlético. Como você reagiu a isso?
Fiquei feliz, satisfeito por vir de uma pessoa que tem grande identificação e grande história no clube. Mas, para chegar a esse status, preciso disputar mais uns 450 jogos e ganhar mais uns 10 títulos de expressão para valer essa posição que o João colocou em relação a meu nome.
E é possível?
Tudo é possível. Tenho 31 anos, mais três anos de contrato com o Atlético, uma identificação muito grande com o clube. Fazendo 60 jogos por ano com o clube, com mais três anos de contrato, sendo que hoje já tenho quase 150, já vai passar de 400. Se as coisas continuarem caminhando bem, a tendência é de que o Atlético continue brigando por títulos.
Como é ir para esta final de Copa do Brasil em uma situação absolutamente inversa à que o Atlético vem experimentando? Ou seja, agora largando com a vantagem.
A gente tem que tirar aprendizado em relação ao que Corinthians e Flamengo tentaram fazer, que é administrar resultado. A gente não pode administrar resultado jogando com uma equipe qualificada como a do Cruzeiro. É fazer nosso futebol, jogar de igual para igual, e não abdicar de jogar pra frente, que é uma característica de nossa equipe. Temos que aprender com os erros dos outros para não repetir.
A música da torcida, a versão atleticana do “decime que se siente”, fala em “vi Riascos ir para a bola e o Victor de bico isolar”. Como é ter uma defesa com os pés cantada pela torcida assim?
É o reconhecimento que todo atleta profissional espera ter na carreira. Ter o nome cantado pela torcida é motivo de muito orgulho pra mim. Espero que o torcedor ainda possa cantar meu nome em muitas situações.
Tudo é possível. Tenho 31 anos, mais três anos de contrato com o Atlético, uma identificação muito grande com o clube. Fazendo 60 jogos por ano com o clube, com mais três anos de contrato, sendo que hoje já tenho quase 150, já vai passar de 400. Se as coisas continuarem caminhando bem, a tendência é de que o Atlético continue brigando por títulos.
Como é ir para esta final de Copa do Brasil em uma situação absolutamente inversa à que o Atlético vem experimentando? Ou seja, agora largando com a vantagem.
A gente tem que tirar aprendizado em relação ao que Corinthians e Flamengo tentaram fazer, que é administrar resultado. A gente não pode administrar resultado jogando com uma equipe qualificada como a do Cruzeiro. É fazer nosso futebol, jogar de igual para igual, e não abdicar de jogar pra frente, que é uma característica de nossa equipe. Temos que aprender com os erros dos outros para não repetir.
A música da torcida, a versão atleticana do “decime que se siente”, fala em “vi Riascos ir para a bola e o Victor de bico isolar”. Como é ter uma defesa com os pés cantada pela torcida assim?
É o reconhecimento que todo atleta profissional espera ter na carreira. Ter o nome cantado pela torcida é motivo de muito orgulho pra mim. Espero que o torcedor ainda possa cantar meu nome em muitas situações.
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