Após o adiamento no primeiro dia da janela, por conta do mar pequeno, a organização da Liga Mundial de Surfe (WSL) fará uma nova chamada neste sábado, às 14h30 (de Brasília).
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Jadson André treina em Teahupoo. Na estreia, ele enfrenta Kelly Slater (Foto: Reprodução/Instagram)
- A onda era muito grande e a onda fechou. Eu sabia que estava indo direto no coral, coloquei os dois braços na cabeça para me proteger. E bati com a maior violência do mundo nos corais com meu cotovelo. Na hora, eu sabia que iria desmaiar, mas fiquei falando para mim mesmo: "Não posso apagar agora!. Foi quando eu subi e o jet veio me buscar. Eu perguntei: "Estou seguro agora?". Ele disse que sim e eu só fiz apagar. É uma direita que chega a ser mais perigosa do que Teahupoo. São cinco minutos de barco para o norte de Teahupoo - contou Jadson.
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O potiguar não sofreu ferimentos ou escoriações ao bater na bancada, mas sentiu na pele a força do mar quando foi arremessado nos corais. Caso tivesse se ralado, uma receita simples e caseira seria passar limão para evitar infecções, prática comum entre os surfistas.
- No meu caso nem foi o ralado, foi a violência da porrada. Na real, o limão é só para matar as bactérias. A turma não passa limão e vai para o sol. Eu uso betadine para as feridas. Quando rala é de boa, complicado é quando a porrada é forte e causa lesão - disse o atleta, que explicou ainda a importância de saber cair em uma onda - Sempre tentar cair da melhor maneira possível. Dá para saber qual direção você está indo para o coral. No meu caso, naquela vaca, eu apaguei.
Jadson em onda perfeita ao lado de Teahupoo, antes da queda (Foto: Reprodução/Facebook. Foto: Chasen Marshall)
Desde que chegou em Teahupoo, há uma semana, Jadson tem treinado todos os dias e já teve até uma prancha quebrada, em uma onda de apenas dois pés, porém, forte. Segundo ele, não há grandes mistérios para se livrar do perigo no local, basta ter experiência na onda pesada, que quebra sobre uma fina e rasa bancada, a 1m de profundidade. Não é à toa que o lugar também é conhecido como a "praia dos crânios quebrados".
Prancha quebrada de Jadson André em treino em Teahupoo (Foto: Reprodução/Instagram)
- Teahupoo é uma onda única. É a minha onda favorita. Teahupoo seria o único lugar que eu moraria fora do Brasil. Eu amo muito isso aqui. É uma onda perigosa, mas você só precisa conhecê-la para surfar bem. Não tem muito segredo - contou o atleta, que só trocaria as belas praias de Ponta Negra pelo Taiti.
Na estreia, Jadson terá pela frente um velho conhecido, de quem arrancou uma inesquecível vitória. Em 2010, o potiguar derrotou Slater na final da etapa de Imbituba, em Santa Catarina, na época, a terceira parada do Tour. Foi a segunda vez que o americano perdeu de um brasileiro em uma decisão de campeonato - a primeira foi em 1994, quando Teco Padaratz levou a melhor na briga pelo título em Hossegor, na França. Em Teahupoo, Slater perdeu na primeira fase em 2002 para Peterson Rosa, que vez a maior pontuação no dia que o americano perdeu a lycra de competição em uma vaca. O outro revés ocorreu na final do ano passado, quando o mito caiu diante de um inspirado Gabriel Medina, que deu um importante passo rumo ao histórico título.
Vai ser uma bateria boa. Ele (Slater) é o melhor aqui e vou ter novamente a oportunidade de surfar contra ele em uma onda tão especial. A qualquer momento, ele pode parar. E competir contra ele, ainda mais aqui, é uma honra. Vou fazer de tudo para me divertir muito "
Jadson André
- Acredito que vai ser uma bateria boa. Ele é o melhor aqui e eu vou ter novamente a oportunidade de surfar contra ele em uma onda tão especial. Ainda mais que, a qualquer momento, ele pode parar. E competir contra ele, ainda mais aqui, é uma honra. Eu gosto da onda e vou fazer de tudo para me divertir muito - analisou Jadson.
Parte do calendário do "Circuito dos Sonhos" desde 1999, a etapa foi vencida por dois brasileiros em 16 edições. Antes de Medina, o primeiro a conquistar o título no local foi Bruno dos Santos, em 2008. O recordista é Kelly Slater, tetracampeão do evento (2000, 2003, 2005 e 2011). Em seguida, estão Andy Irons (2002 e 2010) e Bobby Martines (2006 e 2009), ambos com duas vitórias. Irons venceu ainda uma disputa válida pelo QS, em 1997. Neste ano, o Brazilian Storm será representado por oito atletas no arquipélago, após o reforço do freesurfer Bruninho, segundo colocado nos trials. O big rider de Niterói entrou na bateria do local Michel Bourez e de Mineirinho, líder do ranking.
Jadson André, Owen Wright, Gabriel Medina, Filipe Toledo e outros membros do Brazilian Storm (Foto: Reprodução/Instagram)
CONFIRA AS BATERIAS DA 1ª FASE EM TEAHUPOO
1. Kelly Slater (EUA) x Jadson André (BRA) x Brett Simpson (EUA)
2. Owen Wright (AUS) x Adrian Buchan (AUS) x CJ Hobgood (EUA)
3. Filipe Toledo (BRA) x Keanu Asing (HAV) x Aritz Aranburu (ESP)
4. Julian Wilson (AUS) x Sebastian Zietz (HAV) x Garrett Parkes (AUS)
5. Mick Fanning (AUS) x Adam Melling (AUS) x Taumata Puhetini (TAH)
6. Adriano de Souza (BRA) x Michel Bourez (TAH) x Bruno Santos (BRA)
7. Nat Young (EUA) x Kai Otton (AUS) x Dusty Payne (HAV)
8. Taj Burrow (AUS) x Joel Parkison (AUS) x Glenn Hall (IRL)
9. Josh Kerr (AUS) x Matt Wilkinson (AUS) x Kolohe Andino (EUA)
10. Ítalo Ferreira (BRA) x Gabriel Medina (BRA) x Ricardo Christie (NZL)
11. Bede Durbidge (AUS) x John John Florence (HAV) x Freddy Patacchia (HAV)
12. Jeremy Flores (FRA) x Wiggolly Dantas (BRA) x Miguel Pupo (BRA)
Jadson André abraça Bruno dos Santos após surfista se classificar para evento principal. Segundo colocado nos trials, Bruninho foi campeão em Teahupoo, no Taiti, em 2008 (Foto: Reprodução/Instagram)
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.
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