O Clássico-Rei de amanhã será o mais decisivo da temporada. Não é pra menos, já que definirá o Campeão Cearense 2018. Às 16 horas, quando a bola rolar no Castelão, 90 minutos separarão Rogério Ceni e Marcelo Chamusca do primeiro título por Fortaleza e Ceará, respectivamente.
Mas, com o duelo ainda em aberto e ambos tendo possibilidade real de levantar a taça, os treinadores entram na final vivendo realidades diferentes. Apesar de ter chegado como contratação badalada, Ceni não tem agradado como treinador. Ele até tem bons números, mas desempenho está aquém do esperado. As constantes mudanças, que fizeram o time entrar abril sem um padrão de jogo, preparo físico insuficiente e não utilização de jogadores que chegaram para assumir a titularidade são algumas das críticas dos torcedores leoninos, que no primeiro jogo da final já mostraram insatisfação com o técnico.
No 2º tempo da partida, quando Ceni tirou Léo Natel para colocar Alípio, grande parte da torcida puxou coro de “burro”. Se chegou ao Pici com status de “mito”, hoje Ceni é questionado, principalmente por não ter vencido o rival Ceará ainda em 2018: nos três jogos, foram duas derrotas e um empate. Aos 45 anos e em sua segunda experiência como treinador, o paranaense só vê a conquista do título como medida que pode representar tranquilidade.
Do outro lado, Marcelo Chamusca vive realidade oposta. Vindo de continuidade de trabalho desde 2017, quando conseguiu o acesso à Série A do Brasileiro, o baiano de 51 anos tem um trabalho consolidado, com total confiança de diretoria e torcedores alvinegros.
É óbvio que todos em Porangabuçu querem o título, e Chamusca tem, sim, necessidade da conquista, por estar em um clube com maior investimento, mais estrutura e que é o atual campeão. Mas uma eventual derrota na final não deverá ocasionar perturbação ao comandante do Vovô. Os cartolas alvinegros sabem que o principal foco de 2018 é a disputa da Série A do Brasileiro. Lá, Chamusca é visto como o nome certo para conduzir o clube nessa peleja. A perda do Estadual não acarretará mudança de planejamento. Todavia, é certo que a derrota causará insatisfação. Em contexto no qual a vitória pode representar tranquilidade para iniciar o Campeonato Brasileiro e a derrota, ao contrário, maior tensão e pressão, Ceni e Chamusca, embora vivam realidades distintas, têm igual necessidade de conquista pelo título. Mas amanhã, no Castelão, só um dos dois poderá celebrar isto.


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