Novo parceiro diz que Diego Maurício terá paz em 'ex-cidade perigosa' Atacante Danilo Neco garante que guerras fazem parte do passado de Vladikavkaz, elogia estrutura do Alania e projeta sucesso de trio brasileiro


Praticamente tudo sobre o novo clube do atacante Diego Maurício, o Alania Vladikavkaz, soa um pouco assustador. O nome de pronúncia complicada, a cidade, que fica perto de regiões com histórico de conflitos como a Geórgia e o Daguestão, e a história, marcada por uma exclusão de competições profissionais em 2006 devido a pendências judiciais - o que levou o time para a Terceira Divisão. Entretanto, tudo o que "Drogbinha" vai encontrar é paz e tranquilidade. A começar pela convivência com os compatriotas que o aguardam com a esperança de formar um trio ofensivo que poderá dar trabalho aos gigantes russos.
- Acho que para ele não vai ser difícil. Eu jogo no ataque pela esquerda e ele vai jogar de ceontroavante de área. Vamos formar um ótimo trio, já que o Rudnei, que vem de trás, atua como meia-atacante. Já o vi jogar pelo Flamengo, é um baita jogador, jovem e tem uma longa carreira pela frente. Espero que ele possa nos ajudar e que daqui possa sair para um clube melhor - animou-se o atacante Danilo Neco, ex-Ponte Preta, em entrevista por telefone ao GLOBOESPORTE.COM.
Diego Maurício cumprimenta o presidente Valery Gazzaev, velho amigo de Vagner Love (Foto: Divulgação)
Neco foi o primeiro brasileiro contratado pelo clube, que tem se reformulado desde a punição da Federação Russa. Há um ano e seis meses no Alania, Danilo sofreu com a solidão, o frio, a Segundona e o medo de conflitos. Por se situar perto de regiões separatistas da Rússia, a cidade de Vladikavkaz já foi alvo de ataques de bombas em três oportunidades, sendo duas na última década. Em 2008, dois prefeitos foram mortos a mando de uma organização criminosa. Apesar do ambiente dramático, o atacante garante que a cidade não é perigosa e que Diego levará uma vida sem sustos. E sem muitas opções de lazer.
- É perto da Chechênia, perto de Makhachkala, a cidade do Anzhi, onde também há muitos conflitos. Mas aqui até que não tem atentado, está mais tranquilo. Estou aqui há um ano e meio e nunca passei por nenhuma situação de risco. A cidade é grande, mas não tem shopping, não tem para onde ir. Uns quatro ou cinco restaurantes e mais nada - lamentou.
O racismo também é uma questão que não deverá incomodar Diego Mauricio. Pelo menos em Vladikavkaz, onde os torcedores costumam tratar seus jogadores com carinho. Quando o time jogar fora de casa, todavia, a história muda. O experiente Roberto Carlos, por exemplo, já foi alvo de racismo no país.
- Por enquanto, nunca passei por nada, pelo contrário. Nada de racismo. Todo mundo me conhece e me trata bem. Mas quando vamos jogar fora, o pessoal imita macaco, mas tem que procurar não ouvir - dá a dica.
Neco e Rudnei no treino do Alania (Foto: Divulgação)Neco e Rudnei (ao fundo) brincam no treino do Alania: dupla afiada dentro e fora de campo (Foto: Divulgação)
Após os meses iniciais em que Danilo Neco vivia sem companhia, foram contratados o meia-atacante Rudnei, ex-Cruzeiro, e o zagueiro Carlos Cardoso, que iniciou a carreira no Comercial de Ribeirão Preto. Logo se criou uma família brasileira e a vida ficou mais fácil. A boa convivência será repassada ao novo integrante da comunidade, que aguarda seu goleador de braços abertos.
- Quem vem para cá sozinho, é muito difícil. Fiquei três meses sem brasileiros. Com o Rudnei melhorou e hoje nós três ficamos sempre juntos e não nos separamos para nada - divertiu-se Neco.
Rudnei em ação pelo Alania (Foto: Divulgação)Rudnei será o responsável pelos passes para
Diego Maurício (Foto: Divulgação)
O Alania Vladikavkaz vive um momento de crescimento. O presidente Valery Gazzaev tem um respeitável currículo como treinador, chegando a conquistar a Copa da Uefa (atual Liga Europa) com o CSKA de Vagner Love em 2005. No Alania, Valery decidiu dar o cargo de treinador para o filho Vladimir, de apenas 32 anos. A parceria parece estar dando certo.
- O presidente tem moral por aqui. Ele trouxe um patrocinador bom, com um contrato de oito anos e está reformulando tudo, o CT, que já é grande e terá dois campos com grama natural e um sintético. Há também o planejamento de um estádio novo - relatou.
Apesar de ter delegado as funções técnicas ao herdeiro, Valery Gazzaev não deixa de ter sua influência dentro das quatro linhas.
- O filho é o treinador, mas na verdade são os dois. O pai passa muitas coisas. Mas o técnico subiu o time, tem crédito - ponderou Danilo para não se queimar com o chefe.
Técnico Vladimir Gazzayev, do Alania (Foto: Divulgação)Vivendo à sombra do pai, Vladimir Gazzayev tenta ter sucesso como treinador (Foto: Divulgação)   
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