Ele sente falta do velho Murilo. Não que desgoste do novo, mas preferia aquele que fazia ataques em série e vibrava a cada bola que cravava no chão. Depois de oito meses afastado das quadras para se recuperar de uma cirurgia no ombro direito feita em maio de 2013, entendeu que precisaria de paciência para se adaptar a uma condição diferente dentro da seleção. Dono de duas medalhas olímpicas e dois títulos mundiais, o ponteiro teria um papel de liderança, de dar equilíbrio ao time, além de ser peça importante no passe. Não à toa é o segundo melhor no fundamento (54% de eficiência) no Mundial da Polônia, só perdendo para o iraniano Ghaemi (60,66%). Mas admite que, se pudesse escolher, preferiria mesmo era ter um bom número de pontos na conta. Mais do que os 18 que conseguiu anotar em cinco jogos. Sente falta de contribuir ofensivamente, de ser o cara decisivo. No entanto, por várias vezes foi ali atrás que
brilhou e arrancou sorrisos dos companheiros. Nesta quarta-feira, contra a Bulgária, deverá ter bastante trabalho, já que a artilharia rival é pesada e o saque, também.
brilhou e arrancou sorrisos dos companheiros. Nesta quarta-feira, contra a Bulgária, deverá ter bastante trabalho, já que a artilharia rival é pesada e o saque, também.
A partida, que inicia a participação brasileira na segunda fase do campeonato, será às 11h40 (de Brasília), na Spodek Arena, com transmissão do SporTV e cobertura em Tempo Real do GloboEsporte.com. Os assinantes também podem acompanhar todos os lances pelo SporTV Play.
- É difícil. A gente fala em liderança por exemplo, e a maior dificuldade é ter que liderar sem ser tão efetivo. Sou o segundo no passe, mas são fundamentos diferentes. O ataque é o que as pessoas valorizam. E esta é uma posição ingrata como a de um goleiro (sorri). Antes era mais fácil. Eu pontuava e extravasava. Sinto falta um pouco disso, mas tenho que me adaptar. Está nítido em quadra. Não participo tanto no ataque. Tenho um papel diferente do que tinha até 2012. Eu gostaria de estar melhor - disse.
Melhor jogador do Mundial da Itália em 2010 e das Olimpíadas de Londres 2012, Murilo lembra como foi difícil voltar a defender o Brasil nesta temporada. Dizia ter a sensação de estar com as mãos atadas no início da Liga Mundial. Ao longo da competição, foi evoluindo, assim como a equipe, que passou pela turbulência e chegou à final.
- O início da Liga Mundial foi muito difícil, com aquelas derrotas e atuações não muito boas. Depois eu evoluí bem, o grupo também deu uma boa volta por cima com aqueles jogos de vida ou morte, e fomos à fase final. Logo em seguida, nós tivemos uma folga, e eu dei uma caída, demorei a voltar ao ritmo mais do que os outros. Tenho 33 anos, em 2016 vou estar com 35, e a cada temporada tenho que me cuidar ainda mais. Mas tenho esse objetivo de ir até lá.
Respeitado pelos companheiros de equipe, pelos adversários e homem de confiança de Bernardinho, Murilo ganhou um motivo e tanto para se manter firme e na direção do que quer: Arthur, seu filho com Jaqueline. Longe de casa há 20 dias, o papai de primeira viagem vem matando a saudade pela internet.
- Tenho que defender a seleção e o futuro dele. Com a internet fica um pouco mais fácil. Ele já me enxerga na tela e sorri. Por enquanto está aceitável. Todo mundo consegue passar por isso, eu também tenho que conseguir - riu.
No que depender de Murilo, o filho terá de esperar um pouco mais para estar de novo em seu colo. O plano é ficar na Polônia até o dia 21 de setembro, data da final. Na corrida pelo tetracampeonato inédito, a seleção tem feito seu dever de casa direitinho. Venceu seus cinco primeiros compromissos. E quer manter a escrita na segunda fase, na qual terá pela frente além da Bulgária, China, Canadá e Rússia no Grupo F, que ainda conta com Finlândia, Alemanha e Cuba - já derrotadas pelo Brasil na primeira etapa. Para passar pelos búlgaros, o ponteiro diz que o time não poderá cometer muitas falhas.
- A Bulgária é um time típico europeu, inclusive com algumas características da Rússia. Conta com jogadores muito altos, que sacam forte, têm bom potencial de ataque e de bloqueio e acredito que, para vencermos, temos que evitar o erro ao máximo. Fizemos um amistoso contra eles recentemente, e o Bernardinho gosta de marcar esses jogos porque é sempre um bom teste. Agora é um jogo valendo e, por isso, passa a ser bem diferente. Estudamos muito o time deles, inclusive os jogos que eles fizeram nesse Mundial e vimos que estão sacando muito forte. Até agora temos administrado bem o saque dos adversários e espero que a gente consiga dar o mínimo de qualidade para o levantador distribuir bem as jogadas porque isso vai ser importante para ganharmos. Treinamos bem nesses últimos dias e estamos preparados.
Na segunda fase do Mundial, as equipes acumulam os pontos conquistados na fase anterior contra aquelas que também avançaram. Assim, o Brasil já lidera sozinho o Grupo F, com nove, um a mais que a Rússia. As três mais bem colocadas se classificam para um dos dois triangulares, de onde sairão os semifinalistas e, enfim, os finalistas. No Grupo E, estão Polônia, Estados Unidos, Itália, Argentina, Sérvia, Irã, França e Austrália.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte.

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