Quando o preocupado Oswaldo Alvarez subiu ao gramado para comandar seu Guarani na final do Campeonato Paulista, a torcida bugrina que lotou um anel inteiro do Morumbi foi à loucura. Todas as esperanças de parar o poderoso Santos estavam depositadas nele, o experiente estrategista que levou a equipe desacreditada até a decisão deste domingo. Do outro lado, o sempre explosivo Muricy Ramalho demonstrava uma tranquilidade incomum. Ao longo da vitória santista por 3 a 0, que encaminhou o tricampeonato estadual, foi possível entender os motivos das reações dos técnicos dos dois finalistas.
Antes mesmo do apito inicial, a tensão. Quando o Santos demorou para subir ao gramado, Vadão já se mostrava preocupado com alguma surpresa de última hora de Muricy. E quem tem Paulo Henrique Ganso e Neymar no time precisa de surpresa? O atraso foi causado por uma simples indisposição estomacal de Juan, suficiente para deixar o técnico do Guarani mais apreensivo.
– O Santos tem algum motivo para demorar, isso atrapalha o aquecimento, mas tudo bem, está tranquilo. Vamos jogar bola – avisou Vadão.
E o Guarani jogou, pelo menos no primeiro tempo. O comandante do Bugre já não tinha Oziel e Fumagalli, machucados, e ainda perdeu o zagueiro Neto nos primeiros minutos de partida. Depois de um excelente Paulistão, Oswaldo Alvarez perdeu sua espinha dorsal e teve de inovar: Medina substituiu Fumagalli, caiu mais pela direita e confundiu a marcação santista. E Fabinho, sempre arisco, correu sem parar pelos dois lados do campo. Suaves mudanças que fizeram o Guarani jogar melhor.
No outro banco de reservas, a poucos metros, o sereno Muricy já havia cumprimentado o companheiro de profissão. Depois, em lances duvidosos, conversou de forma cordial com Vadão. O técnico do Santos revezava momentos de descanso ao pé do banco de reservas com gestos mais enérgicos à beira do gramado, principalmente para orientar o posicionamento da defesa. Com o volante Henrique na lateral direita, abriu-se um espaço interessante para o Guarani explorar.
No outro banco de reservas, a poucos metros, o sereno Muricy já havia cumprimentado o companheiro de profissão. Depois, em lances duvidosos, conversou de forma cordial com Vadão. O técnico do Santos revezava momentos de descanso ao pé do banco de reservas com gestos mais enérgicos à beira do gramado, principalmente para orientar o posicionamento da defesa. Com o volante Henrique na lateral direita, abriu-se um espaço interessante para o Guarani explorar.
– Tive de improvisar, mas não mexi em nada na equipe. Vamos jogar como sempre, está tudo normal – explicou Muricy.
Ao longo do primeiro tempo, Vadão ficou mais solto à beira do campo, mas em nenhum momento quis se sentar para recuperar o fôlego. Era preciso um alerta constante para evitar qualquer jogada genial de Neymar ou Ganso. Mas aos 42 minutos, o atacante cruzou para trás, o maestro chutou no ângulo e o comandante do Bugre se calou. Cruzou os braços e foi buscar apoio no teto do banco de reservas. Do lado de Muricy, uma comemoração eufórica e nova orientação para seus defensores.
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Vadão bem que tentou novidades no segundo tempo, lançando Willian Favoni no lugar de Ewerton Páscoa e adiantando seu meio-campo. Mas os erros de passes irritaram demais o comandante, que em dado momento chegou a pular seguidas vezes em tom de protesto. A arbitragem de Wilson Luiz Seneme também tirou o bugrino do sério. O gol de Neymar, já no início do segundo tempo, acabou com o ânimo do técnico.
Muricy chegou até a esboçar sorrisos, mas seguiu com os movimentos frenéticos em sua área técnica. Quando Arouca levou uma pancada e teve de ser atendido fora de campo, o técnico santista quase perdeu a voz para chamar a atenção da arbitragem: o Peixe estava com um a menos e ele queria a volta do volante. O apego aos detalhes fez Muricy Ramalho não perder o rumo, mesmo com a grande vantagem.
O golaço de Neymar, nos acréscimos, só fez aumentar a certeza de que, mesmo com um trabalho árduo por parte de Oswaldo Alvarez, seria difícil parar o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro. Muricy sabe da joia que tem em mãos, e por isso está prestes a conquistar o tricampeonato paulista. No fim, um fraterno abraço em Vadão selou a tranquilidade entre os rivais. O bugrino, inclusive, reconheceu que seu companheiro já está com uma mão na taça.
– Com o resultado de hoje, o Santos ficou com 99% de chances de ser campeão – lamentou Vadão.
Varjota Esportes - Ce. Globoesporte

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