Uma história dourada que ganhou uma pitada de bronze, mas ainda não chegou ao fim. Atleta paralímpico em atividade há mais tempo no Brasil (desde Atlanta-1996) e com um tetracampeonato em Paralimpiadas no currículo, Antônio Tenório desceu dois degraus no pódio de Londres e ficou com a terceira colocação na categoria até 100kg. Mas mesmo com quase 42 anos, que vai completar em 24 de outubro, o judoca brasileiro mais vencedor de todos os tempos quer mais. E surpreende ao anunciar que seguirá sua trajetória até se tornar o “Vovô do Tatame” no Rio, em 2016.
- Vou até o Rio. Vou pendurar o meu quimono em 2016, me aposentar. E quero estar novamente no pódio. Pode ser ouro, prata ou bronze, mas quero representar o meu país em casa. Vou me manter treinando, treinando, competindo... para não fazer feio no tatame - avisa.
Apesar da preocupação de Tenório em combater os efeitos da idade, o desempenho daqui a quatro anos em nada manchará em sua trajetória. Completamente cego desde os 19 anos, após de já ter perdido a visão de um olho aos 7, quando foi atingido por uma mamona, o paulista de São Bernardo do Campo é o responsável pelos resultados mais expressivos na modalidade que mais garantiu medalhas ao Brasil em Olimpíadas.
Medalhas para aumentar o apoio
Os cinco pódios consecutivos não fazem com que ele se considere o maior judoca de todos os tempos. Na verdade, o que mais orgulha Tenório é o fato de ter trilhado o caminho para que o Brasil tivesse em Londres a melhor participação no judô paralímpico da história (três bronzes e uma prata).
- (Ser o maior de todos) são palavras de vocês (jornalistas). Creio que minhas quatro medalhas de ouro ajudaram a formar o judô paralímpico do Brasil, assim como essa de bronze também vai contribuir. Tivemos outras medalhas das meninas e tudo isso é importante para 2016. Importante para consciência empresarial.
Referência no movimento ao lado de Ádria Santos e Clodoaldo Silva, o judoca reconhece a evolução na forma como os paralímpicos são tratados no país, mas ainda cobra maior apoio do poder privado.
- Em Atlanta-1996, não tínhamos nada. A partir de Sydney-2000, com a bolsa-atleta, começou a transformação. Nosso presidente (do CPB, na época) João Batista ousou, levou jornalistas, e passamos a ter o nosso espaço, com Clodoaldo, Ádria, entre outros, representando o nosso país. Então, tem que ter investimento, mas é preciso que os empresários tenham consciência e façam a parte social deles.
Por fim, o brasileiro encarou de boa a “queda de rendimento” em Londres. Com a certeza de dever cumprido após um tetracampeonato, Tenório disse:
- O bronze para mim é como ouro. Estou para completar 42 anos e compito com garotos de 28. Estou muito orgulhoso dessa medalha. Ajuda a somar no quadro e estou em cima do pódio. Para mim, o importante é vir aqui e representar o meu país ficando entre os três primeiros. Meu objetivo foi alcançado. Representei bem uma nação de 193 milhões de brasileiros, com 19 milhões de deficientes.
Sim, Tenório. Representou bem, como tem feito há 16 anos.
Varjota Esportes - Ce. / Globoesporte

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