“Ridículo”: Promotor do GP do Brasil critica ideia de levar F1 ao Rio

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Não é segredo que o regime Bolsonaro apoia a inciativa do governo local de levar o GP do Brasil de F1 de volta ao Rio de Janeiro a partir de 2021. O projeto passa pela construção de um autódromo em Deodoro — que já foi anunciado como palco da MotoGP para 2022. Entretanto, a pista não existe e sequer há previsão de início das obras, que têm valor orçado de cerca de R$ 800 milhões. Questionado sobre a intenção dos governantes em mudar de São Paulo para o Rio o principal evento do esporte a motor do ano no país, Tamas Rohoniy, promotor do GP do Brasil, não teve dúvidas e disparou.  
“Eu, francamente, achei que foi um negócio tão ridículo que não merece comentário”, disse o húngaro em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO nesta quinta-feira (7), em Interlagos.

O dirigente comentou a penúltima etapa das obras feitas visando o GP do Brasil deste ano, como as reformas completas dos boxes, que ficaram mais largos, altos e ganharam também uma nova estrutura de piso e também iluminação, avaliada em R$ 38 milhões. 
A expectativa é que a cobertura do paddock, na última etapa do projeto de remodelação do circuito, já esteja disponível para as 6 Horas de São Paulo, etapa que marca o retorno do país ao calendário do WEC em 1º de fevereiro de 2020.

“As equipes são, em geral, bastante sensatas. Acho que qualquer pessoa sensata, ao chegar aqui e dizer: ‘Mamma mia, o que vocês fizeram?’. Isso é certeza absoluta”, destacou.

Tamas ainda ressaltou a aura de Interlagos, reconhecido por muitos pilotos como uma verdadeira catedral mundial do esporte a motor. Rohonyi comparou a pista com um icônico palco da ópera mundial.

“Todos nós temos de lembrar que a parte mais importante de um autódromo é a pista de corrida. E diria, eu não, mas Ron Dennis, uma vez falou para mim: existem apenas três de pista no mundo: Spa, Interlagos e Silverstone. O resto é muito mais ou menos. E quem viu a última prova em Austin, viu aquelas lombadas que quase quebrou a coluna das pessoas, você vê que não adianta, que não pode fazer uma grande corrida se não tiver uma grande pista”, disse.
“E, nesse ponto, temos sorte, porque essa pista meio que nasceu, não foi projetada por um alemão, seja quem for. E, se chover, melhor ainda. Então é um clássico. Sempre digo um seguinte: se você perguntar a um grande cantor de ópera, ‘onde você quer cantar?’. ‘Já cantei em Berlim, mas meu sonho é cantar na Scala de Milão’”, acrescentou.

“E quem anda em Interlagos, pode dizer isso, que guiou em Interlagos. Vou te contar uma história. Muitos anos atrás, a gente trouxe uma categoria juvenil, da BMW, e o pessoal quase chorou ao guiar na mesma pista que um Emerson ganhou, um Niki Lauda, [Carlos] Reutemann, todos os grandes pilotos”, complementou.

Por fim, Tamas foi questionado sobre o que esperar da primeira prova de Lewis Hamilton correndo como hexacampeão mundial. Mas não descartou a chance de Max Verstappen proporcionar outro espetáculo em Interlagos. “Hamilton vai fazer um esforço monumental para mostrar que é o maior de todos. Mas Interlagos é pouco previsível porque permite ultrapassagens. Você lembra Verstappen na chuva, ano passado, passando por fora...”, recordou o promotor, sem palpitar no vencedor do GP do Brasil de domingo que vem. “Para mim, tanto faz”, concluiu. 

 

 Varjota Esportes - Ce.          /               MSN.

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