Eram decorridos 27 minutos do primeiro tempo de um jogo morno, salvo pelo gol de “Fred vai te pegar”, quando “o fenômeno” surgiu, causando abalos, tremores, choros, gritos e muita emoção no local. Ele subiu as escadas dos vestiários pela ultima vez como um gladiador que entra na arena para lutar por seu povo.
Não precisava se justificar e pedir desculpas pelos gols perdidos na despedida, não precisava agradecer pelo apoio nos momentos de dor e nem pelos sorrisos na hora da alegria, mas mesmo assim ele resolveu fechar o ato final com humildade.
Desculpas por que, Ronaldo? Por você ter triturados os adversários com seus dribles desconcertantes e gols de placa, não, não precisa. Nem eles querem seu pedido de desculpas, só querem te aplaudir.
Desculpas por que, Ronaldo? Por você ter feitos muitos especialistas errarem os diagnósticos e dizerem que você não era mais capaz de brilhar depois das contusões, não, não precisa. Eles só querem reconhecer sua superação e chorar ao vivo.
Desculpas por que, Ronaldo? Por você ter trocado de clubes várias vezes e sido artilheiro onde passou, não, não precisa. Pois as torcidas de todo o mundo terão você como eterno ídolo. Um ídolo mundial.
Um ser humano que superou até os limites da guerra para cumprir sua missão como embaixador da UNICEF, amenizou os horrores dos conflitos civis da Haiti, subiu os degraus da Cidade de Deus para inaugurar um centro esportivo, superou todos os gigantes das copas e fez Pelé e Gerard Müller ficarem para trás.
Desculpas por que, Ronaldo? Por ter feito um torcedor do São Paulo (eu) chorar com um gol do Corinthians contra o Palmeiras, não Ronaldo, não precisa se desculpar. Nós é que devemos nos desculpar por duvidar de você.
Você Ronaldo, entrou aos 30 do primeiro tempo pela ultima vez como jogador e desceu as escadarias pela primeira vez como MITO.
ERASMO PORTAVOZ

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