Jogada TRAGÉDIA DO SARRIÁ 1982: ano eterno



Há exatos 30 anos, o tetra era adiado por Paolo Rossi, mas aquela Seleção Brasileira até hoje nos faz sonhar

O sonho de conquistar o tetracampeonato acabou na tarde de 5 de julho de 1982, em Barcelona. Num jogo intenso e dramático, o Brasil perdeu por 3 a 2 para a Itália e se despediu da Copa do Mundo. A fantástica Seleção montada por Telê Santana com craques como Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo e Júnior se desfez assim que o árbitro israelense Abraham Klein apitou o final daquela partida. Nunca mais aquele time voltaria a jogar junto, e nunca mais aqueles jogadores brilhariam tanto com a camisa amarela.

Paulo Rossi marca o terceiro no Sarriá e se consagra como ´carrasco´ Foto: Agência Estado

A derrota em 82 transformou Telê em vilão para muita gente. A acusação mais comum: deveria ter feito o time jogar de acordo com o regulamento, sem se expor contra uma equipe que só se classificaria se vencesse.

Uns diziam que ele deveria ter colocado Batista para reforçar a marcação. Mas Batista não teve condição por causa da pancada que levou de Maradona contra a Argentina. Outros reclamavam de ele não ter fechado o time depois que Falcão empatou aos 23 do 2º tempo. A verdade: quando a Itália deu a saída com o placar em 2 a 2, Paulo Isidoro já estava em campo no lugar de Serginho para bloquear o lado direito da defesa.

Sempre atrás

A Itália teve a vantagem psicológica de estar em vantagem quase todo o tempo. Paolo Rossi marcou de cabeça aos cinco minutos do primeiro tempo, Sócrates empatou aos 12 e Rossi marcou de novo aos 25. Falcão fez o golaço que parecia ser o da classificação, mas seis minutos depois lá estava o implacável Rossi.

Hoje, 30 anos depois, ainda é agradável ver vídeos daquela Seleção. E, mais do que tudo, bate o desânimo ao ver que o exemplo dado por aquele time não frutificou no Brasil. O pragmatismo do futebol dá as cartas hoje. Mas aquela Seleção é eterna. 



Zico enfrenta marcação implacável de Gentile. Para muitos, o grande pecado brasileiro foi cometido pelo técnico Telê Santana, que teria abdicado de jogar pelo resultado, quando o empate favorecia sua equipe FOTO: DIVULGAÇÃO/ALLSPORT/UK

Brasil tornou-se favorito na reta final
O ano de 1982 começou em clima de euforia para o torcedor brasileiro. As grandes atuações da Seleção Brasileira, principalmente nos confrontos contra potências europeias, fizeram o time de Telê Santana se transformar no favorito para ganhar o título na Espanha.

Em um dos últimos amistosos de preparação para o Mundial, o Brasil ganhou por 7 a 0. A manchete do Jornal da Tarde, de São Paulo, no dia seguinte foi esta: "enfim, o time da Copa".

Na Espanha, a Seleção Brasileira se concentrou em Sevilha e foi lá que fez os três jogos da primeira fase: vitória na estreia, 2 a 1, de virada, diante da União Soviética e goleadas contra Escócia (4 a 1, também de virada) e Nova Zelândia (4 a 0).

Sevilha encantada
Classificado em primeiro lugar, o time arrumou as malas e se mudou para Barcelona - onde na fase seguinte lutaria por uma vaga nas semifinais contra dois adversários de peso: Argentina e Itália. Um jornal de Sevilha deu o seguinte título depois do jogo contra a Nova Zelândia: "Voltem logo, será difícil nos acostumarmos com outro tipo de futebol". 

  
  Varjota  Esportes - Ce.    /    DN

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