Único técnico negro é quem tem o menor salário da Copa: ganha como técnico da Série B

Aliou Cissé, comandante da seleção do Senegal
© Donat Sorokin\TASS via Getty Images Aliou Cissé, comandante da seleção do Senegal

Depois da estreia com vitória sobre a PolôniaSenegal volta a campo neste domingo, ao meio dia (de Brasília), para encarar o Japão, no duelo dos líderes do grupo H da Copa do Mundo de 2018.
Uma vitória pode deixar os africanos muito perto de garantirem a segunda ida ao mata-mata em sua segunda participação em Copas, além de estender a invencibilidade em fases de grupos, já que em 2002 eles venceram a França na estreia e avançaram com empates contra Uruguai e Dinamarca.
Aliou Cissé estava em campo no Mundial da Coreia e do Japão, e agora lidera a equipe como treinador. Único negro comandando uma das 32 seleções na Rússia, ele é também o técnico mais jovem, com 42 anos, e o que tem o menor salário, recebendo 200 mil euros (R$ 883,08 mil) por ano.
O valor é baixo até mesmo para os padrões brasileiros, já que um salário mensal na casa dos R$ 75 mil reais é visto apenas para treinadores que comandam equipes das divisões inferiores do campeonato nacional.
Cissé deu sua opinião sobre a ausência de negros nos bancos de reserva, dizendo que muitos acreditam que são “estúpidos”. Contudo, ele deixa claro que essa discussão o incomoda e afirma se sentir pronto para ir longe na profissão.
“Creio que estou muito preparado taticamente e trato de entender que por trás de um jogador de futebol há sempre uma pessoa”, disse Cissé, que falou também sobre o pensamento de seus jogadores na Rússia.
“Somos africanos, queremos viver bem juntos, sentir o prazer de disfrutar de tudo o que fazemos. Essa é nossa história e nossa cultura”, disse.
Cissé tenta igualar o nigeriano Stephen Keshi, único treinador africano que levou uma equipe até as oitavas de final de uma Copa. Em 24 participações de seleções subsaarianas, apenas cinco vezes um treinador comandava a seleção de seu país natal, sendo que nas outras oportunidades os comandantes eram todos europeus.
Contudo, sua referência é outra. Ele conheceu Bruno Metsu, responsável pela classificação de Senegal em 2002, quando chegou ao Lille, da França, aos 16 anos, e teve um impacto imediato na vida do atual comandante senegalês.
“Quando o conheci soube que eu seria treinador algum dia”, concluiu Cissé, lembrando com carinho do treinador nascido na França que faleceu em 2013, vítima de um câncer, e pediu para ser enterrado em Dakar.

 Varjota Esportes - Ce.           /          MSN.

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