Elas aproveitaram as altas temperaturas do verão carioca para deixar as pernas de fora. Eles tentaram se destacar nos pequenos detalhes: uma grava colorida, ou uma calça com risca de giz. O saguão do Theatro Municipal do Rio de Janeiro virou passarela de atletas olímpicos e pan-americanos. E mesmo quem há tempos parou de competir aproveitou a noite de gala, no Prêmio Brasil Olímpico. Hortência, a Rainha do basquete, era a que menos passava despercebida. Escolheu um vestido bem vermelho, de um ombro só. E brincos enormes, comprados na Arábia Saudita.
- Não sou muito de usar vermelho, mas depende muito do modelo, da ocasião. Gosto muito de moda e não ligo para marca, pois sou eu que carrego a roupa, e não a roupa que me carrega. Estou aproveitando mais esse estilo apertadinho porque tenho que aproveitar enquanto posso mostrar minhas pernas... Depois de um tempo a gente não pode usar ... – ri.
Fabiana Murer, vencedora pela segunda vez seguida do troféu de Melhor do Ano, em 2010 e 2011, trocou o longo do ano passado pelo curto. Foi de cinza, com franjas.
- Aqui no Rio tem que ser vestido curtinho. No ano passado senti muito calor. Foi uma amiga que me ajudou a produzir. Gosto de moda e tento sempre acompanhar as tendências. Quando viajo sempre compro a Vogue para ver como posso me produzir, como quais são as tendências da moda. Quase vim com um vestido de renda, porque sei que está na moda.
Mas quem venceu a disputa pelo vestido mais curto foi Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância. Um modelito assinado pelo estilista Antônio Filho.
- É sempre ele mesmo quem escolhe. E sempre diz que eu tenho que valorizar as minhas pernas.
Assim como Fabiana, Sumaia Ribeiro, melhor do ciclismo, foi acompanhada pelo marido. Graças a Daniel, ela, há quatro anos, trocou o vôlei pela bicicleta. Quando o assunto é figurino, o apoio vem de casa.
- Ela tinha que usar um vestido curto para valorizar as pernas – brinca – Ela fica com vergonha – disse Daniel.
Entre os homens, as gravatas eram o diferencial. Hugo Hoyama, palmeirense, desta vez trocou o verde por um lilás. O mesa-tenista tentou usar um terno novinho, mas esqueceu um pequeno detalhe...
- Quis estrear em outro evento, mas esqueci de botar para lavar.
Fernando Saraiva, campeão pan-americano de levantamento de peso. Na hora de botar a gravata, porém, teve de recorrer a um outro ajudante... de peso: o segurança do hotel.
- Ele me ajudou a dar o nó – disse.
Marcel Stürmer foi um dos primeiros a chegar. Nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, ele conquistou o tricampeonato da patinação vestindo uma roupa improvisada. Tinha alfinetes segurando a camisa. Dias antes, fora assaltado em Porto Alegre e ficado sem a roupa de competição. Para o Prêmio Brasil Olímpico, pediu ajuda aos internautas.
- Postei fotos e pedi ajuda. Tinha uma gravata lilás e uma laranja. Escolheram a lilás. Roupa arrumada não dá para variar muito, então tento dar atenção aos detalhes – disse o patinador, com uma calça cinza.
As meninas da ginástica rítmica também chegaram cedo ao saguão do Municipal. Luisa Matsuo, que no Pan de Guadalajara anunciou sua despedida da seleção, começa a se acostumar com a “não maquiagem”.
- A gente está acostumada a usar maquiagem carregada. Aqui pude fazer algo mais leve, do jeito que a gente gosta mesmo.
Na ginástica artística, ouro e prata. Daiane dos Santos estava toda de dourado. Usou batom vermelho e, no cabelo, prendeu uma flor.
- Está todo mundo com cara de artista.
Jade foi toda de prata.
- É muito engraçado ver todo mundo diferente, porque a gente está sempre de cabelo preso, de uniforme. Meu estilo é gostar de coisas mais coloridas, mas hoje vim mais discreta – disse Jade.
Sempre discreta, Poliana Okimoto ousou no brilho. Escolheu um vestido de lantejoulas.
- Fui a várias lojas, mas quando olhei esse gostei de cara. Como lantejoula está na moda, achei perfeito.
Yane Marques, do pentatlo moderno, também caprichou na cor: rosa choque. Um vestido escolhido aos 44 minutos do segundo tempo, já que a ideia inicial era ir ao Prêmio de farda. Yane, assim como boa parte dos atletas brasileiros, é militar.
Diogo Silva, do taekwondo, é atleta da Aeronáutica. Desde que cortou os cabelos – ao se incorporar às Forças Armadas – precisou refazer o guarda-roupa. Nesta segunda, ele estava numa reunião em São Paulo. Passou correndo em uma loja e comprou uma camisa e uma gravata.
- Tive que mudar minhas roupas porque, desde que cortei o cabelo, as camisas ficaram ruins. Não combinam com meu novo estilo.
* Por Adriano Albuquerque, Danielle Rocha, Gabriele Lomba, João Gabriel Rodrigues, Helena Rebello e Lydia Gismondi
Globoesporte.com / Varjota Esportes.
Hortência chama atenção na noite de gala do Prêmio Brasil Olímpico (Foto: André Durão/Globoesporte.com)
Maurren aposta em pretinho básico bem curto
Marcel: gravata lilás escolhida pelo público
Diogo Silva, do taekwondo, de terno novo e cabelos
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