Renegados? Desprezados por outros clubes, jogadores dão volta por cima no Bahia Atletas como Marcelo Lomba, Lulinha e Souza superaram a desconfiança no Tricolor baiano



  Marcelo Lomba, Titi, Dodô, Fahel, Ricardinho, Lulinha e Souza. Além de terem vestido a camisa do Bahia nesta temporada, estes sete jogadores têm outro ponto em comum. Antes de chegarem ao clube baiano, todos deixaram suas ex-equipes com status de renegados. Em Salvador, cada um ao seu jeito, conseguiram dar a volta por cima e ajudaram o Tricolor a permanecer na Série A do Campeonato Brasileiro e conquistar a vaga na Copa Sul-Americana de 2012.
No Bahia, jogadores deram a volta por cima após fase difícil nos clubes de origem (Foto: Globoesporte.com)
Mas houve também o caso de renegados que não conseguiram se encontrar no Fazendão. A situação mais explícita é a de Carlos Alberto. Com uma sequência de lesões (púbis, dores musculares e inflamação no dedão do pé), o meia ficou mais no departamento médico do que em campo. Além dele, Tiago, Boquita e Danny Morais também não conquistaram tanto espaço no Fazendão. Dos quatro, apenas o goleiro e o zagueiro podem continuar para a próxima temporada.
Superação e declínio
Jobson no treino do Bahia (Foto: Wesley Santos / PressDigital)Jobson se reencontrou no Bahia, mas deixou escapar
o carinho tricolor (Foto: Wesley Santos / PressDigital)
Há um caso específico em que a superação e o declínio estiveram juntos no Fazendão. Dispensado pelo Atlético-MG por indisciplina, Jobson chegou ao Bahia com a desconfiança da torcida e o risco iminente de novos problemas. Aos poucos, superou o "pé atrás" dos torcedores e ganhou o status de ídolo.
Principal jogador do Tricolor no início da Série A do Campeonato Brasileiro, o Jobson recuperado não durou muito. A proximidade com o julgamento na Corte Arbitral do Esporte (CAS) e as festas na noite de Salvador desviaram o foco do atacante. O rendimento caiu dentro de campo e, fora dele, os atrasos se tornaram constantes.
De ídolo, Jobson voltou a ser um garoto-problema. A saída da diretoria foi dispensar o jogador. Assim, em vez de seguir o caminho dos companheiros do clube, Jobson voltou a deixar mais um clube pela porta do fundo.
Paredão tricolor
Entre aqueles que conseguiram dar a volta por cima com a camisa azul, vermelha e branca, o caso mais marcante é o de Marcelo Lomba. Com apenas 24 anos, ele teve a missão de substituir Bruno no gol do Flamengo no ano passado. Apesar de algumas boas partidas, o arqueiro foi perseguido pela torcida e descartado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo.
A chegada em Salvador, além de render novos ares, também ajudou Lomba a recuperar a autoestima. Apelidado pela torcida do Bahia de "Paredão", Marcelo Lomba foi eleito o melhor goleiro do Brasileiro pelo Troféu Armando Nogueira.
- Para você ver como é o futebol, né? O torcedor muitas vezes critica a gente por ter emprestado Vander, Ananias, mas isso faz parte do futebol. O Corinthians e o Flamengo, por exemplo, teriam de ser criticados por terem emprestado o melhor lateral-esquerdo e o melhor goleiro do Brasileiro, apesar de eles terem chegado ao Bahia sem esse prestígio todo – lembrou o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho.
marcelo lomba goleiro do bahia (Foto: Felipe Oliveira/Site Oficial)Renegado no Flamengo, Lomba conquistou a torcida e os olhares do Brasil (Foto: Felipe Oliveira/Site Oficial)
Quem viveu situação semelhante foi o trio de jogadores do Corinthians: Dodô, Lulinha e Souza. O meia e o atacante não fazem parte dos planos da diretoria do clube paulista há algum tempo, mas, no Bahia, se tornaram titulares. Souza foi, inclusive, o artilheiro da equipe no ano, com 18 gols marcados.
Já Dodô pode até não ter balançado tanto as redes, mas foi quem teve maior sucesso. Promessa das divisões de base do Corinthians, o lateral-esquerdo não teve grandes oportunidades no Parque São Jorge. No Bahia, começou sob desconfiança da torcida, mas ganhou espaço e, apesar da lesão sofrida na reta final do Brasileiro, foi o melhor jogador da posição no Troféu Armando Nogueira.
- O Bahia deu oportunidade desses jogadores terem uma sequência de jogos e se firmarem. Eles se sentiram à vontade e confiantes para desempenhar o futebol. Lomba se destacou no gol, e Souza não foi artilheiro à toa. Ninguém se esquece de jogar. Eles só precisavam de uma oportunidade – comentou Dodô.
ricardinho, meia do bahia, treina na academia do clube (Foto: Felipe Oliveira/Site Oficial)Apesar de talento reconhecido, Ricardinho ficou muito
tempo na reserva (Foto: Felipe Oliveira/Site Oficial)
Dos seis atletas citados, talvez quem tenha tido a menor participação na campanha do Bahia seja Ricardinho. Depois que saiu do Atlético-MG, o pentacampeão mundial ficou muitos jogos no banco de reservas no Tricolor, mas, quando entrou em campo, mostrou o diferencial.
- Ricardinho teve um problema no tendão, mas, nos dois jogos em que pude colocá-lo, ele jogou bem. É um jogador experiente, conhecedor e que sabe onde coloca a bola – avaliou o técnico Joel Santana.
A temporada dos renegados foi tão boa no Fazendão que apenas um deles não vai se reapresentar com o elenco no dia 5 de janeiro de 2012. Por conta de uma lesão no joelho, Dodô vai passar seis meses em recuperação e ainda não sabe se vai voltar a Salvador. Os outros jogadores devem ter todo o ano para retribuir a importância do Bahia em suas carreiras. 

 Globoesporte.com   /  Varjota  Esportes.

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